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terça-feira, 10 de maio de 2011

Curiosidades croatas para iniciantes


1 - Foram os croatas que inventaram a gravata. Daí o nome da dita cuja.

2 - Dermocosméticos podem ser boas compras. A variedade é boa e o preço também. Um tubinho de Redermic, da La Roche-Posay, me saiu por 213,26 Kunas, o que equivale a R$ 68,00. No Brasil não sei quanto está custando. Parei de perguntar quando chegou aos RS$ 150,00 na Drogasil.

3 - A escrava Isaura já andou por ali. Atualmente passa na TV uma versão do Big Brother muito parecida com a nossa, com confessionário, quarto do líder e acampamento no quintal.

4 - A partir da happy hour, no final da tarde, os bares dos calçadões do centro de Zagreb começam a lotar. Servem todo tipo de bebidas, mas nada para comer. Nem batatas chips, nem amendoim de saquinho, azeitonas, lhufas.

5 - Todo mundo fala inglês. Em algumas cidades, falam italiano. O ensino de idiomas é obrigatório nas escolas, e parece que funciona mesmo.

6 - Uma garrafa de água mineral pode custar mais caro do que um capuccino. Em compensação, a água das torneiras e dos chafarizes públicos é potável (assim disseram, e eu acreditei).

7 - A primeira ministra é uma mulher.


 
8 - A Croácia tem mesmo vocação turística. Juntaram várias sucatas de guerra num terreno situado na entrada da cidade de Karlovac (famosa pela cerveja) e inventaram um “Museu da Guerra” a céu aberto.

[Aqui não posso deixar de traçar um paralelo com Angola, onde também não faltam sucatas de guerra espalhadas por todo canto. Diferentemente do que acontece na Croácia, em Angola a polícia e o exército desestimulam qualquer manifestação de curiosidade turística. Não se pode fotografar, e um amigo quase levou um tiro do sentinela ao tentar subir na carcaça de um blindado em frente ao Forte dos Reis Magos em Luanda.]



9 - Um dos lugares que não pude visitar em Zagreb. Uma pena,  já que eles detêm muito conhecimento acumulado nesse assunto.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Notícias de lá



Manchetes recolhidas no site http://luandadigital.com, em ordem cronológica:

- Angola: Grande mobilização para a manifestação de sábado (4/3/2011 - 11:32:42)

- Angola: Manifestantes detidos em Luanda (7/3/ 2011 - 11:11:25 )

- Angola: Cancelada a manifestação anti-Governo (7/3/ 2011 - 15:40:25 )

- Angola: Promotores escondem fracasso da manifestação (7/3/2011 -17:09:45)

Muito esclarecedoras.



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O caso do melão dos Frescos


Estava eu na sala de espera do dentista, folheando a Super Interessante deste mês, quando reparei em uma pequena nota sobre as cidades mais caras do mundo. Entre as 10 mais, três estão na África e .... adivinhem qual ficou em primeiro lugar?

Luanda, claro.

A matéria comparou o preço de cinco itens:
  1. Valor do aluguel de um apartamento de dois quartos em um bairro de classe média alta; 
  2. Trinta cafezinhos; 
  3. Trinta exemplares do New York Times; 
  4. Trinta lanches do MacDonalds; 
  5. Cem litros de gasolina.
Em Luanda, esse pacotinho custaria R$ 13.587,80, enquanto em Tóquio, segundo lugar da lista, ficaria por “apenas” R$ 8.939,60.

Há quem duvide. Afinal, como pode uma cidade com tantos pobres ser assim tão cara?

É que existem pelo menos duas Luandas: a Luanda dos pobres e a dos que vivem na bolha, uma espécie de universo paralelo onde se pode oferecer à venda um melão por um preço equivalente a USD 105,00.

A história foi contada pelo semanário O País . Leia que vale a pena. De acordo com a matéria, a Casa dos Frescos, a mais característica rede de supermercados da bolha, foi autuada pelo crime de especulação, depois que fiscais da Polícia Econômica apuraram a queixa de um cliente, indignado com o preço de 9.803.01 Kwanzas cobrado por um melão-casca-de-carvalho importado de Portugal.
 
Como bolha é bolha, o caso deu em nada, ficou por isso mesmo, e o Tribunal de Justiça anulou a representação por falta de provas. (ver o desfecho)

De minha parte, já anotei no meu caderninho. Quando for a Portugal, vou fazer questão de experimentar esse tal melão-casca-de-carvalho. Com champanhe e blinis.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Reincidente

A notícia está na Voz da América



A embaixada de Angola em Washington está, outra vez, sem contas bancárias nos Estados Unidos. Desta vez, as contas foram encerrradas pelo banco Sonabank, onde a missão diplomática angolana as abrira há menos de um mês, com uma carta de recomendação do Departamento de Estado.

Esta é a terceira vez em sete meses, que a embaixada de Angola em Washington vê um banco encerrar as suas contas, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de funcionamento desta missão diplomática.

A embaixada abriu contas no Sonabank, Southern National Bankcorp of Virgínia, no final do mês passado, solucionando assim uma crise aberta pelo Bank of America, que lhe encerrara as contas quase dois meses antes.
A perda de serviços bancários pela embaixada gerou tensão entre Luanda e Washington. O encarregado de Negócios americano em Luanda, David Brooks, foi chamado ao Ministério das Relações Exteriores, e a embaixadora angolana em Washington, Josefina Pitra Diakité, foi chamada à sua capital para consultas.

Depois do encerramento das contas pelo Bank of America, e antes pelo Banco HSBC, Angola exigiu aos Estados Unidos que resolvesse o problema, alegando que, sem acesso a contas bancárias, a embaixada não pode funcionar normalmente, pois fica sem meios para pagar salários, renda e despesas correntes.

O Departamento de Estado disse estar interessado em ajudar Angola a manter a embaix ada a funcionar, mas lembrou que, por lei, não pode obrigar nenhum banco a aceitar qualquer cliente.

E, no mês passado, escreveu uma carta de recomendação, com base na qual o Sonabank acedeu a prestar serviços bancários à embaixada e tendo sido abertas várias contas. Só que, esta semana, o banco escreveu à embaixada anunciando que encerrava as suas contas, após uma análise legal do seu histórico bancário.

O banco não disse, especificamente, que transacções detectou que possam ser consideradas questionáveis. Uma investigação do Senado americano, há cerca de um ano, denunciou transferências ilegais do banco central para contas privadas.

Um diplomata americano instado pela VOA a pronunciar-se sobre que transacções se podem ter sobreposto a uma carta de recomendação do Departamento de Estado, disse que essa pergunta devia ser apresentada ao banco e à embaixada.

À VOA um diplomata angolano disse que esta situação “compromete as relações entre os dois países e causa desconforto”.

A embaixadora Josefina Pitra Diakité, entretanto regressada a Washignton quando o problema se resolveu, está de novo em Luanda.

A viagem à capital estava programada – a embaixadora vai participar na reunião do Comité Central do MPLA - mas a carta do banco foi recebida imediatamente antes da partida da diplomata.

Até a crise se resolver, a embaixada angolana terá que recorrer às contas bancárias do consulado de Angola em Houston, no Texas, como fez durante os meses de Novembro e Dezembro passados.
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Comentário do Blog:

Enquanto isso, o Banco Nacional de Angola anuncia a criação de um componente organizacional vocacionado à "prevenção e detecção de tentativas de utilização do sistema financeiro angolano para actos de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo".
Exatamente o mesmo tipo de cuidado que, praticado pela polícia financeira do Tio Sam, resultou no bloqueio das contas da Embaixada.
A iniciativa do BNA é louvável, se for além da mera conversa fiada. E existem as contas das reservas, para começar a  praticar. O melhor exemplo começa em casa.  



Vê se maneraê, Josefina.












Atualização:

O Blog Morro da Maianga abordou com grande propriedade a questão da lavagem de dinheiro (ou branqueamento de capitais) em Angola, e sua indissociável relação com a corrupção governamental e desvio de verbas públicas. 
Recomendo a leitura do post Angola já é uma grande "lavandaria"?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Sabores de Angola



Quando me lembro das comidas de Angola, penso em carnes e legumes ensopados, servidos com uma espécie de angu de fubá ou de polvilho a que chamam funje.

Não gosto do funje, mas a memória do cheiro daqueles ensopados volta e meia me enche a boca de água. Tudo preparado com duas folhinhas de louro. Duas folhinhas de louro no feijão, na sopa, na muamba de galinha, no calulu de peixe. (*)

As cozinhas de Angola têm o gosto e o cheiro do louro.

???????????

....................

Estou falando nisso agora porque ontem à noite fui fazer sopa de feijão.


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Atualização: Quem quiser saber o que é  funje pode dar uma olhada nesse post da Menina de Angola

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Livros e livrarias

A Livraria Cultura de Brasília está na minha lista das 10 mais. E em breve vão abrir uma outra loja no Lago Norte, um presente pelos 50 anos da cidade.
Adoro ir até lá. Sempre encontro alguma coisa que me seduz irremediavelmente e acabo levando para casa. Acho que a Disney deve exercer o mesmo tipo de fascínio sobre as crianças.
Normalmente acho o que procuro e, quando não acho, posso encomendar. Foi lá que encomendei a Parábola do Cágado Velho, primeiro livro do Pepetela que li, até hoje o meu preferido.
Dois anos depois, o brasiliense que quiser ler o Pepetela não precisa mais esperar. O Planalto e a Estepe está exposto em lugar de honra, na gôndola principal, aquela que fica logo à entrada da loja.
Para quem ainda não conhece, fica a sugestão. Pepetela é um dos mais importantes autores angolanos da atualidade.


sábado, 9 de janeiro de 2010

Mau começo



Tantos preparativos, tanta expectativa, e a Copa Africana de Nações - o CAN 2010, mesmo antes do pontapé inicial, já se transformou em circo de horrores.
Rebeldes separatistas da Frente de Libertação do Estado de Cabinda - FLEC metralharam nesta sexta-feira um ônibus que conduzia a delegação do Togo,ferindo gravemente nove pessoas, incluindo dois jogadores. O motorista faleceu em função dos ferimentos recebidos.
Os jogadores do Togo querem abandonar os jogos e voltar para casa, por falta de segurança. Os clubes ingleses que possuem jogadores inscritos no CAN também estão temerosos. É o caso do Manchester City, Aston Villa, Portsmouth e Chelsea.
O "jogo dos astros", amistoso que reuniria Pelé, Eusébio e Figo foi adiado.

Consta que ameaças já haviam sido feitas: "A situação de guerra é uma realidade em Cabinda e qualquer estrangeiro poderá ser uma vítima", teriam dito os líderes da FLEC.

Fui procurar a versão do site oficial do campeonato (can-angola2010.com), mas as notícias eram outras. Nem uma palavra sobre o atentado. Nada também no Angola Digital, Angola Press, Angolense, Angonotícias, Jornal de Angola, etc. Cansei de procurar. Quem quiser saber mais, que procure no google pelos sites brasileiros.

Eventos internacionais com ampla cobertura de midia têm esse efeito: produzem visibilidade. A questão separatista de Cabinda foi exposta, da maneira mais triste possível. Não dá mais prá esconder.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Novidade na banca



Na banca de jornais: saiu a primeira edição da revista Exame-Angola, versada em economia, negócios e finanças. Pertence ao mesmo grupo que edita o semanário "O País" (meu jornal preferido de lá) e a revista "Vida", suplemento do jornal.
Quem está longe poderá assinar a versão digital e receber no computador um arquivo em PDF. O primeiro número está disponível gratuitamente no site da revista.
Dei uma passada de olhos e achei a apresentação muito caprichada. Alto nível.
A Exame brasileira, em geral, é uma revista fiável, merece credibilidade. Vamos ver se a qualidade da produção jornalística da versão angolana vai manter o mesmo padrão. Tomara.
A conferir.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os limões do Jango Veleiro na voz do povo



O roubo dos limões no Jango Veleiro está dando o que falar. Um post do Diário da África me chamou a atenção para os comentários que se seguiram à publicação da notícia.

Selecionei alguns, para deleite,espanto ou horror dos leitores deste blog. Quem quiser mais pode ir à fonte.


E o NANDO comete ilícitos piores e nada lhe acontece
Esse e cúmplices é que deviam se PRESOS! É uma vergonha, a péssima justiça angolana, que não faz justiça, deixa corruptos poderosos agirem como mafiosos e prende quem não deve por causa de limões! Depois querem que Angola tenha credibilidade na Comunidade Internacional
KOTA
Deixem de perseguir trabalhadores inocentes, detidos por causa de limões? Sempre pensei que fosse bilhões!
Anónimo
quantos negócios estão na mesma situação? até em casa as empregadas roubam de tudo, do pão ao arroz, por mais apoio que lhes seja dado. Isto é um vicio generalizado em Luanda, é só roubar!!!
noruega
esses tugas brancos atrasados que nos fazem aos angolanos, empresas maltratam os funcionário por causa de 32 limoes vao a policia???
Juca
Roubar tá mesmo a dar. Cada vezes mais e por tudo e por nada. Roubar, roubar, roubar... Somos os filhos da RPA - Rouba te Poa a Andar. Os que roubam o Estado, não roubam só não roubam no Veleiro porque não trabalham lá. Meu avô sempre diz que foi por causa de sermos uma raça ladra e preguiçosa que os colonos usavam do chicote. Toca de importar chicote já.
Desta Vez
Noticia triste esta. Espero que a Polícia Nacional use os meios desponiveis para apurar a verdade. Caso as acusacões se provem falsas o jovem devera ser endiminizado na ordem dos milhões uma vez que a direcção faltou com respeito ao seu bom nome. Bem haja a "justica"
o proprio dred
Pelos meus vastos conhecimentos de direito, se o trabalhador não foi apanhado em flagrante delito voces mulatos duma figa vão ter de indenemizar o cidadão com uma data de massa para voces verem. quero ja pedir a todos q lerem este comentario que parem de ir ao restaurante jango veleiro, para assistirmos a falencia deste cafe chamado de restaurante.
isto é mesmo noticia de domingo
noticias de relaxe .com tantos assuntos serios para se debater
kambuta-Rijo no terreno
mas em angola nao e pecado roubar, normal !
morenucha Holanda
deixem la os empregados em paz, vão procurar os assasinos oke , 32 limões eu te mando o contentor cheiro de limão, deixem os empregados em paz porqui ele e a Angolano! se calhar o dono deste Jango e estranjeiro !
luandando
isto parece comedia hahahhahah roubar 32 limões da fim de semana na cadeia,muita mentira nisso tudo de certeza pagam mal os empregado. caso corioso é k 32 limões da 500 a 600 dolares é mesmo angola, a sra pode dizer qto é que este empregado ganha,de certeza menos k 32 limões ou 600 dolares
Anónimo
Apartir de agora deixarei de ir ao Jango Veleiro.
rui andre
prender alguém por roubar 3 cervejas!!! é cumulo dos cúmulos... é o que acontece quando põe pessoas sem bases a trabalhar em sectores onde supostamente os funcionários tinham de ter uma formação académica exemplar, para que actos destes não voltem a acontecer, como, prender alguém durante 3 dias porque supostamente roubou limões... é triste
5º elemento
claro q lugar de ladrão é na cadeia de facto, n interessa o nível do acto crimiminal dependende a isso será julgado a altura do crime cometido...achei um pouco exagerado essa dos 32 limões equivalerem quase 500 ou 600 usd essas caiprinha custam os olhos da cara,uma caipirinha por acaso leva mais q um limão qdo é bem feita.
Mais isso eh legal Perguntem ao JES
Eu ouvi e vi o JES a vinte anos atraz na televisão falando e institucionalizando o roubo quando disse a celebre frase ´Dizem que os angolanos estão a sofrer, mais todos sabemos que cada angolano vive do seu trabalho.
e os outros ladrões?
o dos limões prendem, o dos milhões andam aí a solta. tirem tambem o Zedu do poder e lhe prendem
Patrocinio de Almeida luanda
No Jango a Caneca de Fino Cuca (imperial) é 800 kwanzas, isto tb não é roubo.
valmir
Só mesmo com empregador tuga. São muito mesquinhos. Já agora quando é que a direcção do veleiro vai a tribunal por ter construído numa praia pública? (essa empresa e todas as outras na mesma situação)
GENERAL CACHY
O problema não esta nos colaboradores mas assim na organização do proprio jango veleiro um negocio que é gerido pela esposa não rente nada baste o adminstrador tinha que ser uma pessoa que não tenha grau paredesco com o proprietário empregar pessoas com conhecimentos tecnico em gestão caso isso não acontecer a culpa vai ser sempre dos empregados
anonimus luanda
epah 32 limoes e caso d se resolver internamente mais tipo assim axo k a propria gerencia e o jango ker dar "show" falando das suas dividas k n consegue pagar e pondo a culpa em 32 limoes k sao tirados diariamente do seu estabelecimento isso ate e uma vergonha... "apoli"
Anónimo
E o dono desse pseudo-restaurante onde foi buscar os milhoes de todos os negocios que tem, inclusive petroleo? Sem palavras..
moreno
senhores jornalistas , ha coisas mais serias que necessitam ser divulgadas porque nao o fazem? por favor o jornalismo e algo de muita seriedade , algo de informativo, por favor tenham do dos leitores.
Muito Sentido
Se eu fosse trabalhador do Jango Veleiro, sentir-me-ia muito ofendido com as acusações, procurava um bom advogado e processava a empresa que até ao momento ainda não consegui reunir provas suficientes para as suspeitas que fundamenta, desde 2006, inclusive com um pedido de ajuda da DNIC, ainda não desmantelaram a rede, este artigo serviria como prova suficiente das acusações, prova escrita, veiculada pelo jornal da nova Angola “O País”. Tinha que ser um bom advogado, alguém que não recuasse ao saber que se tratava de uma empresa do Sr. Pedro Godinho do Jango Veleiro.
mana joana
Eu também sou contra quem rouba, se hoje roubou 32 limões amanha será 40 e assim vai crescendo, mas se isso está a acontecer é porque a gerencia não presta e as camaras de segurança estão lá decoradas para intimidar os funcionários, quando não tem experiência não abra este tipo de Negocio.
Mbemba Ngangu
Correr com esses pulas de Angoa será um dado adquirido. Esses pulas querem brincar connosco na nossa terra!
ILHEO
estas conversas não é de hojé ja trabalhei no jango veleiro. ja vi o pessoal a ganhar mal pra patavina. pessoal que tinham de entrar as 22h00 para sair 08h00 do dia seguinte. ja tinha acontecido antes mtas suspeitas apartir do proprio dono que até ele proprio fez a justiça com as proprias mãos. amarrando o funcionario e a ser castigado pelos seus guardas, tudo porque disconfiava de todos. enquanto que eram os proprios seu filhos que iam pra la com amigos e mulheres faziam os seus consumos depois sobrava para os funcionario. esse restaurante tem muitas coisas para contar a justiça.
Nervoso malanjino
Está montada, uma rede de corrupção, no Jango Veleiro. A solução é fechar, ou entregar para os generais.
begary
isto nao pode ser,castigar um inocente sou por suspeitar è um caso ridiculo. este propetario tem que ser bem investigado
Anónimo
Roubar um limão ou roubar um milhão é a mesma coisa:ROUBO. Mas, se quem rouba um limão tem problemas com a justiça, quem um milhão também deve ter.
lingandum zangado
mas esse tambem estava a ir fazer o que com 32 limoes? 1 ou 2 va q nao va, 32? ou pelo menos q roubasse algo de jeito, uma garrafa de w, lagosta, bife etc
Ngunga
O dono desse Jango é branco,devemos correr com ele a catanas!! Os brancos não podem mandar na nossa terra e muito menos tem direito de incriminar um angolano na nossa terra, mesmo ele tendo nacionalidade angolana,porque Angola é terra de negros e não de brancos.
Anónimo
Nunga o dono do Jango é negro e Angolano. Deixa os brancos em paz. Quando eles pisarem na bola a gente vai a trás dele. Por enquanto temos é que educar os nossos conterranos
Anónimo Kimbundo
Queridos irmaos deixem de colocar ate os vossos problemas mentais aos Brancos , esses vossos problemas estao no vosso DNA , tudo q vos acontece sao os brancos ... se encherguem please
Anónimo
ngunga esse complexo de inferioridade em relação aos brancos tem que ser tratado, o que interessa é o ser humano, não o tom da pele
Anónimo
E PENA, os donos de Angola são a familia Dos Santos e mais duas dúzias de MPLAS e outros tantos
Ilheu Ilha de Luanda
Sabendo-se que o Jango Veleiro factura bem mensalmente, deia um salàrio condigno ao trabalhador para que nao se incline ao roubo.
CHATEADO
roubar 32 limões deu em detenção em uma esquadra de policia com indicios de ser levado a julgamento um pobre coitado,agora imaginem que não acontece nada ao Mário Huambo director da agricultura do sumbe que até um navio desviou carregado de adubos e fertilizantes e imputes agricolas, sabotou e destruiu a agrotec, prejudicou trabalhadores. Nenhuma agulha é movida contra este ga tu no de primeira classe.
Bruder Luanda
Qual o objectivo desta reportagem? Quem está por detrás desta longa exposição, com o pretexto dos " limões" ? A quem na verdade querem atingir ? Sejam minimamente honestos !!
Ao Ilhéu
O Jango obriga as pessoas a trabalharem lá ou só trabalha lá quem quer? O salário oferecido pelo Jango é ilegal, é menos que o mínimo legal? Então desde quando o motivo para roubar é o salário? Roubar é defeito de carácter, o resto é conversa de ladrão. Arrumar uma justificatica como tu arrumas é pretexto de quem costuma ser desonesto.
michel
quem disse que o jango veleiro é de um branco? negativo....o que é roubo de trinta e tal limões para quem rouba muito mais na aplicação de um ar condicionado? que injustiça não acham? coitado do rapaz e coitado dos limões que ja devem estar no atero dos mulevos somente em cascas..que a esquadra da ilha reveja bem o caso do jovem que ainda pensa no futuro..nos estudos e na familia..fui
Ao Michel
Quem pensa no futuro, não rouba.
Angola no ecziste
esse jango tem razon, esse ngunga tem que ser recambiado pro congo, ele é langa  e anda nos prejudicar, rouba os limoes do povo e depois vai revende los no roque  santeiro, temos que nos organizar nao mais langas no nossa terra kiakiakiakiakia
Mano Bumba
Isso não se faz a um pobre trabalhador. Mas estou de acordo com o amigo Chateado, os bandidos é que devem estar sob a alçada da justiça.Não desistam. O mário Huambo e outros ga tu nos serão julgados.Tenhemos cuidado com os olho grande estão bem protegidos.
Aimar
Concordo, grão a grão a galinha enche o papo,esses vícios nao podem ser alimentados ,acho bem que esse senhor dos 32 seja detido. Cambada de ladrões.
Dikixi
Concordo com a direcção do Jango Veleiro mas também não discordo com o homem dos 32 limões já que nos os angolanos fomos autorizados ao mais alto nivel a tais práticas com a famosa frase; "...todos nos sabemos que aqui em Angola, nimguem vive do salario..." Por isso a balanca esta equilibrada.
Ango Lano Por ai, arournd
Li a noticia e alguns comentarios. De facto, roubar é crime. Mas vos digo meus manos, a jangada é muito cara, por uma bitola paguei quase 500 paus e acompanhado, ora boas, né! Vamos lá rever isso.
Kaluanda Luanda
Se o Dono do Referido Restaurante não fosse um dos protegidos do sistema, concerteza teria muito que responder!!!...+ como todos sabemos em ANGOLA a justiça so existe para os poderosos e todos eles são de certa forma do MPLA...é TRISTE!...mesmo que lele tivesse roubado os tais limões, não seria caso para se investigar e apurar a verdade???... e nunca prende-lo sem provas!!!
Mbele Kikolo
O ladrão ñ gosta de ser roubado. Dói, ném?
delon
Roubar é crime, mas, só nos dói quando esse roubo é praticado contra nós, ora vejamos, porquê que uma cerveja no Jango veleiro custa 500kz? Será que isto também não é roubo? A grade de cerveja estranjeira não custa mais de 2000kz no armazém! Isto a polícia económica não consegue ver! (é dos graudos). Coitadas das senhoras que vendem gás no Kikolo e que inclusive pagam imposto a administração do mercado foram (roubadas) pela polícia económica, resultado: o gás em certas localidades está a ser comercializado a 5000-6000kz (salário mínimo). Tudo por causa dessas medidas infundadas para inglês ver! Raciocinem (pecadores).
Anónimo
Mas agora andam preocupados aonde saiu o dinheiro do Sr do Jango veleiro? Mas já não existem empréstimos bancários? E se não foi , será que o homem não fez bem em investir no seu País? Ou era melhor meter a massa nos bancos lá fora e olhar para mais umas famílias Angolanas sem tecto e sem salário no fim do mês? Enfim , tanta ignorância, que até mete nojo.
garçon /jango veleiro
Este anonimo que disse que roubo é roubo não sabe o que diz ou então não é angolano (vive no exterior). Sera q o dispedimento não basta? o colega esqueceu de falar das agreções protagonizadas pelos seguranças do jango neste casos por orientação do godinho.A policia deveria instaura um inquérito em colaboração com os trabalhadores do jango para ter noção da realidade do clima que reina aqui.
MUTAMBA
Esta direcção do Jango Veleiro, devem ser uns autênticos tolos! Ate não tem vergonha de virem ao jornal denunciarem, só porque o trabalhador levou uns tantos limoes para os filhos? Aprendam a serem uns verdadeiros gestores de restaurantes e, se nao tem qualificações, arranjem.
MA.TUBA
Correr com esses pulas da nossa terra é a maneira mais fácil de resolver esta questão.
Ao MA. TUBA
Isso mesmo MA.TUBA, mandem todos os pulas embora, e para não ter mais lembranças dos pulas, mandem embora também tudo o que é produzido pelos pulas: Os remédios, os telemóveis, as televisões, os computadores, os automóveis, os auto-carros, as candongas, os comboios, os aviões, as geleiras, as arcas, a comida que esta nos supermercados, as roupas, os cd´s, os dvd´s, os materiais de construção, os móveis de casa, os fios e cabos de electricidade, as bebidas importadas (Whiskey, Vodcas, Gins, Runs, Vinhos,etc) O cigarro importado e tudo o que for produzido por pulas. Fique só com o que é produzido em Angola, sei que assim será feliz, ,mas por favor, só por curiosidade, diga com o que vai ficar, faça uma pequena lista.
Ao MA.TUBA
Acho que sim, tens toda a razão. Expulsa daí os pulas, mas não te esqueças de vir cá buscar todos os teus primos bumbus que estão espalhados pelo mundo...
Crente lualua
Vivemos num país altamente comercial e cada um vive como pode, se os funcionários do jango tem este comportamento, é porque há motivos suficientes para tal. Se os senhores ministros vivem de comissões de certas obras do estado porque o funcionário não pode viver dos limões. Ninguém fala dos 32 bilhões do projecto chinês k desapareceram dos cofres do estado, mais dos 32 limões kerem abrir a boca. Quem não tem pecado que atira a primeira pedra. Fuiiiiiiiiiiii
Kaluanda Luanda
Caros leitores e comentadores, quem não sabe por favor não escreva!!! ... o tal Sr. Godinho é NEGRO... e bem protegido pelo sistema...assim tbm já é demais!!!... devemos sim exercer o nosso direito a opinião, + façamo-lo com alguma dignidade, e não com mentiras que destas já estamos fartos!!!...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Jango Veleiro e as caipirinhas de limão



Jango Veleiro foi o primeiro bar a que fui em Luanda.
Pois o jornal  "O País", em edição desta semana, dá notícia de que um funcionário do estabelecimento teria sido detido por vários dias na esquadra policial, acusado do roubo de 32 limões.

O funcionário, que trabalhava na instituição há dois anos, está inconformado, e entende não ser o caso de detenção: 32 limões seriam o equivalente a 1500 Kwanzas, um assunto a ser resolvido internamente. “Eu tenho sonho, concluir os meus estudos e continuar a trabalhar, onde é que eu posso arranjar emprego depois deste escândalo, como poderá ficar manchada a minha ficha criminal?  Será que não há crimes mais complexos em Luanda para ocupar o lugar da cela que eu estou a  ocupar? Será que não haverá outros crimes para ocupar o tempo da Polícia e o nosso Tribunal?”

A equipa da administração do restaurante acredita na existência de uma rede de funcionários a dilapidar os cofres da empresa. “Quando as pessoas menosprezam 32 limões”, conta um dos responsáveis, “não têm noção de que isso representa cerca de 500 ou 600 dólares em caipirinha, que é uma das bebidas mais solicitadas actualmente nos restaurantes e bares”.

Fonte: SirimarcoPress
(Com agradecimentos pela pauta)


Para quem conhece: ele não dispensa as vitaminas.

sábado, 7 de novembro de 2009

O Kota Kapipita e as histórias da história


“Quase todas as tardes, um pouco antes do Sol fugir para os lados da Ilha do Mu Sulu, lá estava o nosso Kota Kapipita no quintal da sua casa no Cazenga, rodeado de muitos pioneiros, a contar os momentos mais marcantes da História de Angola, pois a via da oralidade era uma das formas de dar a conhecer o que de melhor e de pior se teria passado noutros tempos. A população em geral, crianças, jovens e mesmo mais velhos, não tem hábitos de leitura. Também não tem livros para ler. Ninguém os incentiva e se procuram, os livros são caros, são considerados, um produto de luxo, continuando, assim, na ignorância e obscurantismo a que foram votados ao longo de vários séculos. O objectivo que mais o animava, era tentar cativar a atenção daquelas crianças para factos relacionados com os seus antepassados, mas, sobretudo, afastá-las do crime, da prostituição e da droga, dar-lhes um pouco de amor e orientá-las para tarefas mais condizentes com a sua idade. ”

É ao redor do Kota Kapipita que se desenrola a trama de “O Crime do Bairro da Cuca”, uma delícia que seu autor, Fernando Baião, teve a generosidade de me enviar de Lisboa, num pacote de três, reagindo positivamente às provocações de X na Casa de Luanda (Obrigada, X!).

Como bom contador de histórias, o Kota Baião brinca com o foco de sua narrativa, de lá prá cá, de ontem prá hoje, variando bocas e alternando o relato do crime ocorrido na época da independência com as histórias contemporâneas da audiência que se reúne para ouvir. O suspense é mantido em rédea curta, afinal crime é crime, e todo mundo quer saber no final quem foi o culpado, e por quê.
Devagarinho, saborosamente, a história de Angola vai se desenredando nas histórias das vidas inventadas de personagens que juramos ter conhecido alguém assim ou parecido. Conhecido ou ouvido falar, não importa. Nada está lá por acaso. Os lugares, os costumes, as mazelas urbanas da cidade degradada, tudo faz sentido.

Depois do “Kimalanga”, o “Crime” me cativou definitivamente. Cheguei à última página prendendo a respiração e com um problema prá resolver. O Kota Baião é figurinha difícil, não se acha nem no Chá de Caxinde. Como garantir lugar na fila do gargarejo para as próximas edições?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Onde está o dinheiro?


O gato comeu, o gato comeu.
E ninguém viu.
O gato sumiu, o gato sumiu.
E o seu paradeiro
é no estrangeiro
onde está o dinheiro.

Composição: Paulo Barbosa, Francisco Matoso e José Maria de Abreu
Canta: Gal Costa
Para ler a letra e ouvir a melodia clique aqui
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Li sobre esse assunto há uns meses atrás "Nos Cus de Judas", mas não percebi direito a história. Hoje recebi por e-mail uma narrativa mais explicadinha, do Novo Jornal. Saiu também no Angonotícias.


Angola comprou acções do Banif e nunca as viu

Polémica. Confusão. São dois dos adjectivos que melhor se enquadram numa história que tem poucos fios condutores. E muitas esquinas e becos escuros. Tudo se resume assim: o Estado Angolano, em 1994, destinou 150 milhões de dólares para adquirir uma participação no Banco Internacional de Funchal (Banif), de Portugal. Hoje, 11 de Setembro de 2009, é certo que Angola não é proprietária de uma única acção do Banif.
O enigma que se impõe é simples, mas de difícil resolução: onde estão os tais 150 milhões de dólares? Se o Estado não tem nenhuma participação mas o dinheiro “saiu”, quem se beneficiou? Durante a semana a Procuradoria–Geral da República, dirigida pelo polémico Procurador, General João Maria de Sousa, confirmou ter entregue à “justiça portuguesa uma queixa-crime contra o advogado Francisco Maria Guerreiro da Cruz Martins e outros intervenientes”, para já não identificados.
Segundo o PGR, Angola sente-se “lesada nos seus interesses patrimoniais em mais de 150 milhões de usd”.
Vários órgãos de comunicação social portuguesa têm destacado este assunto nas primeiras páginas: primeiro foi o Diário de Noticias, em Junho, tal como o Novo Jornal deu conta, depois o Expresso em Agosto e agora foi a vez do diário “i”, que fez mesmo manchete na terça-feira, 8/09.
Em declarações ao Semanário Expresso, Francisco da Cruz Martins afirmou não crer “que seja alvo correcto de semelhante acusação. Que outros tenham praticado tais actos, posso admitir”, disse.
E de facto há “outros” nomes envolvidos neste caso: os empresários António Figueiredo e Eduardo Capelo Morais, portugueses que chegaram na deter avultadas participações na instituição bancária.
No entanto, não é crível que apenas 3 empresários estejam envolvidos nesta mega-burla. Camilo Lourenço, analista, economista e Jornalista luso, dizia na televisão que “se especulava do envolvimento de altas figuras, portuguesas e angolanas”. E completava: “Segundo as minhas fontes, o valor em causa pode até ser o tripulo de 150 milhões de dólares”.

Curvas e contra curvas


O triplo era, mais ou menos, o valor avançado pelo Diário de Notícias português, em Junho. 360 Milhões de dólares. Só que a notícia falava numa queixa do Banco Nacional de Angola (BNA). Agora percebe-se que pouco terá a ver com esta estrada sinuosa. Na altura, contactada pelo Novo Jornal, Amélia Borgia, porta-voz do BNA, afirmou peremptoriamente que o regulador “não apresentou queixa nenhuma em Portugal”e que “desconhecia por completo o assunto em causa”.
Nos últimos dias foi também tornado público parte do caminho que os tais 150 milhões de dólares tiveram. Durante a investigação ficou claro que a compra das acções não era para ser feita em bolsa. Por isso, a partir de Outubro de 1994, segundo o Semanário Expresso, terão sido feitas várias operações, “com compras de sociedades offshore que detinham acções do Banif, através de outras sociedades offshore”. O dinheiro ai chegando de Angola em várias parcelas, à medida que surgiam as oportunidades de investimento.
O governo angolano terá então estranhado os preços a que as transacções terão sido feitas, acima do valor a que esteva a ser negociada em bolsa. Por exemplo: um lote de 2 milhões de acções terá sido negociada a E15 cada, entre o final de 1994 e o único de 1995. O problema é que, em 1994, a cotação variou entre os E5,76 (valor de fecho mais baixo) e os E7,68 (o valor de fecho mais elevado). “No ano seguinte, variou entre E6,48 e E7,58”, escreveu o Expresso.
O objectivo inicial era comprar 8,48 milhões de acções, correspondente a 49 por cento, o primeiro objectivo.
Angola acordou para este imbróglio quando recebeu uma factura de honorários “por serviços prestados”, endossada por Francisco da Cruz Martins, na ordem dos 19,5 milhões de euros. Mas, se Martins tinha sido “contratado” (sem contrato assinado, porque o acordo terá sido sempre verbal) para comprar 49 por cento do Banif em nome do Estado, como pode cobrar honorários por uma por uma participação que não existe? “Quando presto um serviço reclamo os correspondentes honorários. Tal como qualquer profissional cobra pelos serviços que presta o que entende ser justo, nesta caso, como não confirmo nem desminto qualquer relação com o assistente no processo mencionado, seria incoerente comentar esta questão”, justifica o advogado, em declarações ao Expresso, em Agosto.
14 Sep 2009
Fonte:Novo Jornal

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O Passado e o Futuro

Do folclore Quimbundo



Dois homens caminhavam por uma estrada quando encontraram um vendedor de vinho de palma. Os viajantes pediram-lhe vinho e o homem prometeu satisfazê-los, mas com uma condição:

- Terão de me dizer os vossos nomes.

Um deles falou:
- Chamo-me De onde Venho.

E o outro:
- Para Onde Vou.

O homem aplaudiu o primeiro nome e reprovou o segundo, negando a Para Onde Vou o vinho de palma.
Começou uma discussão, e dali saíram à procura do juiz. Este ditou logo a sentença:

- O vendedor de vinho de palma perdeu. Para Onde Vou é que tem razão, porque De Onde Venho já nada se pode obter e, pelo contrário, o que se puder encontrar está Para onde vou.


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Extraído do livro
Contos Populares de Angola - Folclore Quimbundo
Organizados por J. Viale Moutinho
São Paulo, Landy Editora, 2006

O Leão é Forte como a Amizade

Conto do folclore quimbundo


Dois amigos costumavam encontrar-se todos os dias. Numa das conversas, um deles comentou:
- Os leões estão a aparecer nas redondezas. Tem cuidado com a tua casa, para evitares um desgosto.
- O leão não poderá entrar. Tenho espingarda e lança.
- Enganas-te, porque tu não podes lutar com o leão.
- Tenho a certeza que posso.
Ambos riram e continuaram a conversar até que por fim se separaram.

Passou-se um mês quando o rapaz que tinha avisado o amigo arranjou um meio de se transformar em leão e resolveu atacar o camarada, rugindo ferozmente.
Arranhou-lhe a porta de casa e encontrou o amigo a dormir. Levantou-o, bateu-lhe e desfez aquilo que encontrou.
Deixando o amigo em má situação, retirou-se e voltou à forma de homem.

No outro dia, foi visitar o amigo que atacara, e este disse-lhe:
- Pobre de mim! O leão veio aqui esta noite e destruiu tudo!
- Porque não fizeste fogo ou não lhe meteste a lança?
- Meu amigo, o leão é forte como a amizade.


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Extraído do livro
Contos Populares de Angola - Folclore Quimbundo
Organizados por J. Viale Moutinho
São Paulo, Landy Editora, 2006

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Rapaz e o Crânio

Um conto do folclore quimbundo



Um rapaz foi fazer uma viagem e no caminho encontrou uma cabeça humana.
As pessoas costumavam passar por ela sem fazer caso, mas o rapaz não procedeu assim.
Aproximou-se, bateu-lhe com um pau e disse:
- Deves a morte à tua estupidez.

O crânio respondeu:
- A estupidez me matou, a tua esperteza também o matará.

O rapaz aterrorizou-se tanto que, em vez de prosseguir, voltou para casa.
Quando chegou, contou o que se passara. Ninguém acreditou:
- Estás a mentir! Já temos passado pelo mesmo lugar sem nada ouvirmos dessa tal cabeça.
- Como é que ela te falou?
- Então vocês não acreditam? Vamos lá e se quando eu bater na bater na tal cabeça, ela não falar, cortai a minha.

Todos partiram e, no sítio referido, o rapaz bateu na cabeça e repetiu:
- A estupidez é que te causou a morte.
Ninguém respondeu.
As palavras são pronunciadas outra vez e como o silêncio continuasse os companheiros gritaram:
- Mentiste! - e degolaram-no.
Imediatamente o crânio falou:
- A estupidez fez-me morrer e a esperteza matou-te.

O povo compreendeu então a injustiça que cometera, mas é que espertos e estúpidos são todos iguais.

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Extraído do livro
Contos Populares de Angola - Folclore Quimbundo
Organizados por J. Viale Moutinho
São Paulo, Landy Editora, 2006

domingo, 6 de setembro de 2009

A força da mulher

Elas são as zungueiras. Vão buscar nos armazéns atacadistas mercadorias para vender pelas ruas de Luanda. É uma profissão. A alternativa é a fome.

São apenas meninas, mas já mostram sua força.


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Angola e o Islã

Volta e meia alguma autoridade angolana vai a público manifestar preocupação com a expansão do islã em Angola. Ou do islão, como preferem dizer.
Em linhas gerais, temem que “costumes estranhos à cultura nacional, sem raízes históricas na tradição do país, possam acarretar consequências nefastas na organização e estrutura da sociedade angolana”.

Acho uma pena que esse “cuidado” com a preservação da tradição cultural não se manifeste também em relação a outras manifestações ditas religiosas.
Traduzindo em miúdos, refiro-me aos trocentos templos da IURD espalhados pelo país. Enquanto Edir Macedo avança, as religiões africanas tradicionais desaparecem. Quem quiser conhecer, participar ou fotografar , que vá à Bahia ou ao Rio de Janeiro.


Aos poucos, a presença muçulmana vai se fazendo notar.



Este é o pé que balança o berço

Beleza pura - 2

Ainda no tema dos penteados infantis, achei mais esta foto. Esse bebê não tem um ano e já está cheio de letrinhas e búzios pendurados nos cabelos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Beleza pura

Dizem que as mulheres são vaidosas por natureza e que não medem sacrifícios quando o assunto é beleza.
É duro admitir, mas é verdade. E que atire a primeira pedra quem nunca usou uma pinça nas sobrancelhas, fez depilação com cera quente ou dançou a noite inteira com sapatos apertados de salto alto.
Em regra, essa disposição sofredora começa na adolescência, atinge o apogeu por volta dos 25 anos e vagarosamente decresce com o passar dos anos. As crianças costumam ser poupadas.

Em Angola não.

No início pensei que os penteados das meninas angolanas, cheios de trancinhas e continhas coloridas, fizessem parte de alguma tradição cultural africana , tão disseminado é o seu uso.
Depois me explicaram que a moda é recente.
Os penteados são muito elaborados, dão trabalho prá fazer e duram entre 10 e 15 dias.
Já vi até bebês de colo usando as tais continhas.
As meninas todas adoram. As trancinhas têm que balançar e fazer barulho com o entrechocar dos pingentes. E quanto mais coloridos, melhor.








Recentemente percebi que as continhas de plástico duro começam a ser substituídas por prendedores maleáveis, feitos de E.V.A. ou material semelhante.
Ainda bem. Já pensou dormir com isso?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A profissão mais antiga do mundo

Fazer cerâmica é uma atividade meio mágica. Terra, água, ar e fogo. De repente, alguma coisa que não existia antes vira substantivo concreto. Um pote, um vaso, um tijolo, uma escultura, uma lajota, uma telha.

Alguns dizem ser a profissão mais antiga do mundo (*): a profissão de Deus.

Gosto muito de moldar a argila. Há um bom tempo venho brincando com isso, fazendo experiências, trocando figurinhas pelaí, “around the world”. Parei quando a agulha da minha bússola foi direcionada para Angola. Dei um tempo, agora pretendo retomar atividades.

Durante o período em que permaneci em Luanda vi muito pouca coisa de cerâmica. Uma cidade em obras, com uma enorme carência de materiais de construção (importados e caríssimos), não possui uma olaria sequer. Existem fábricas de telhas e de lajotas feitas de cimento. Mas nada de cerâmica. Bem que eu procurei. Se existe, ninguém soube me informar.
Fiquei surpresa. Argilas existem em todo lugar, e os povos mais primitivos do mundo conseguem desenvolver técnicas de modelagem e queima. Em Angola, fabricam-se telhas de cimento importado que são vendidas a três dólares cada.

Enfim...

Entre a centena de artesãos que expõem seus trabalhos na feirinha do Benfica, existe uma única banca na categoria de cerâmica. Na realidade nem chega a ser uma banca, já que as peças ficam expostas no chão, na lateral externa do “quadrado”. São painéis interessantes, bem desenvolvidos, muito coloridos, queimados em baixa temperatura e esmaltados com esmaltes comerciais. O artesão - Paulo - me disse que a oficina ficava lá pros lados do Petrangol, um bairro afastado do centro.

As fotos estão aqui, prá quem quiser conferir.


As duas máscaras a seguir estão na sala de embarque da TAAG no aeroporto 4 de Fevereiro. Devem ter vindo do mesmo ateliê (mesma técnica, mesma estética).


Perto do largo da Mutamba existe uma loja de artesanato chamada "Espelho da Moda". A seleção é bem feita, variada, as peças à venda muito bonitas e bem representativas do que de melhor se faz em Angola nesse gênero. Tudo a preços de Luanda (estratosféricos).

No Espelho da Moda pode-se encontrar algum artesanato de cerâmica angolana. Me disseram que são feitas no sul do país. No último Natal ganhei essa caneca de presente.


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(*) aquela outra profissão que você pensou pode ser a segunda, quem sabe?