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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Um jeito Gostoso de sacudir a poeira


Da série: A pedidos


O blog está quieto há tempos, paradinho, sem novidades.

Não por falta de novidades, muito pelo contrário. São muitas, tantas que têm distraído a minha atenção e feito escassear o tempo para registrá-las aqui.  É o tal negócio: o mundo gira, a Lusitana roda e não é à toa que o blog se chama “Seguindo Adiante”.

Estava precisando de um empurrãozinho motivador. E o empurrãozinho veio, escondido em um e-mail recebido da Anabela Calegaro, do site pacotesdeviagensft.com.br, pedindo licença  para tentar  seduzir os leitores com um post  e motivá-los a embarcar em uma de suas viagens de sonho e  deleite.

Por coincidência, abri o e-mail enquanto editava as fotos que tirei em São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, onde passei os feriados da semana santa. Pense em um lugar bonito, com mar calmo e águas quentes, muito vento, pé na areia, gente hospitaleira e simpática, boa gastronomia, natureza intocada e o luxo do conforto e da simplicidade. Pensou? É lá.






Eu adorei. Anabela não vai encontrar dificuldades prá seduzir ninguém.

Segue o post da Anabela:

As melhores opções de São Miguel do Gostoso para sua viagem
Quem gosta de viajar e visitar praias paradisíacas não pode deixar de incluir o nordeste e o norte brasileiro no seu pacote de viagem. Natal, a capital do Rio Grande do Norte é uma cidade que não deixa de faltar no roteiro de quem viaja para essa região. O que poucos sabem é que não é só a capital que oferece diversas e belíssimas riquezas naturais. A pouco mais de 100 km de Natal está a cidade de São Miguel do Gostoso, uma vila de pescadores com cerca 10 mil habitantes e muita beleza para ser explorada.
A vila é muito bem preservada, por isso não é permitido ações como música alta em bares e ruas. Os restaurantes são pequenos, porém, oferecem uma culinária muito respeitada por moradores e turistas. Hoteis e pousadas oferecem de uma ótima infraestrutura para os visitantes de São Miguel do Gostoso.
Sem dúvidas, as praias de lá são os maiores atrativos. Elas são extremamente limpas e preservadas, sendo também bastante desertas na maior parte do ano. A Ponta do Santo Cristo é considerada a melhor praia do Brasil para esportes que dependem da força dos ventos e possuem velas em sua composição, como windsurfe e kitesurfe. A Praia do Cardeiro é interessantíssima por ser num lago formado com águas da chuva. No centro de Gostoso você pode encontrar a Praia da Xepa, localizada paralelamente à rua principal da cidade, o que faz dela bastante badalada, com restaurantes e lojas por perto.

São Miguel do Gostoso é o lugar perfeito para relaxar e colocar seus pensamentos em dia. Lá, você pode conhecer a maioria dos lugares a pé ou de bicicleta. Basta caminhar pelas areias das praias ou pelas pequenas ruas de paralelepípedos, de terra ou de piçarra. Inclusive, a cidade oferece o serviço de aluguel de bicicletas para que os turistas possam desfrutar dos passeios com mais agilidade.

Para ficar um pouco por dentro da história da cidade visite a Igreja de São Miguel Arcanjo, que foi construída no começo do século 19 e também o Museu Casa de Taipa, uma casa de pau a pique construída como era costume há algumas décadas: de barro.

Ao visitar São Miguel do Gostoso também vale a pena se deslocar 15 km até o Farol do Calcanhar. Com 100 metros de altura é o maior farol da América Latina. Vale a visita!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O fogo da Quimera


A Quimera era um terrível monstro que expelia fogo pelas narinas e devastava as planícies da Anatólia.  Tinha três cabeças, todas diferentes, corpo de leão e cauda de serpente. Uma mistura de DNAs  tão exdrúxula que, até hoje, chamamos de “quimera” todas as coisas aparentemente muito fantasiosas ou de existência improvável.

A Quimera causava grandes estragos no reino da Lícia, cujo rei, Iobates, estava empenhado na procura de um herói que pudesse derrotá-la.

Eis que, num belo dia, aparece por lá um charmoso herói-galã chamado Belerofonte,  muito recomendado por Preto, genro do rei. 

Na verdade, o que Preto queria mesmo era livrar-se do herói.  Belerofonte e a mulher de Preto, Antéia,  haviam se enrolado  numa história palaciana muito mal contada, cheia de intrigas, na qual se  misturavam  a fúria da mulher desprezada e  os ciúmes do marido traído.  E Preto escreveu uma carta ao sogro pedindo-lhe que se encarregasse de matar Belerofonte.

Para atender ao pedido do genro, Iobates resolveu mandar o herói enfrentar a Quimera.

Belerofonte topou a parada mas, como não era um sujeito completamente idiota, foi antes pedir ajuda aos deuses. Com a intervenção de Minerva,  adonou-se do cavalo alado Pégaso e, montado nele, conseguiu a vitória sobre a Quimera.

Belerofonte acabou se casando com a filha de Iobates, a Princesa Filone,  e poderia  ter vivido feliz para sempre  se.... a soberba não tivesse falado mais alto.

Ofuscado pelos próprios sucessos e aspirando a imortalidade,  Belerofonte  decidiu voar até a morada dos deuses, montado em Pégaso.  Zeus, no entanto, para castigar tamanha arrogância, mandou  uma mosca atormentar o cavalo alado até que este  derrubasse o seu cavaleiro.  Cego e coxo em decorrência da queda,  Belerofonte  acabou seus dias vagando sozinho pelo mundo na mais completa miséria. 

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O local onde Belerofonte matou a fera fica na Turquia, à beira do Mediterrâneo, pertinho  de um vilarejo chamado Çirali.   Ali, bem no alto de um morro, o fogo eterno da cabeça da Quimera  ainda brota do chão.  As pessoas costumam subir até lá à noite, quando as chamas são mais vistosas e a escuridão revitaliza a magia. 
   
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A história pode ser bonita  mas o programa é uma grande roubada. Ganhou cinco machadinhas do Guia Michelíndio.


 Esta é a praia de Çirali. Ao fundo, o monte da Quimera. 

 A trilha até o topo é íngreme e difícil. No escuro é pior, apesar do serviço de locação de  lanternas ao pé do morro. 

O fogo eterno: lá em cima existem várias fogueirinhas como essa. 



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Meke Gölü





Ouvi falar que foi neste lugar que teve origem a lenda do olho turco. Não sei se procede, mas é mesmo possível  que o cenário tenha inspirado o design.   É a cratera de um vulcão e fica perto de Karapinar,  a uns 90 km a leste de Konya.

A área branca ao redor do cone do vulcão é puro sal, mas já foi um lago azul.  É como se costuma ver nas fotos. ["gölü" significa "lago"] 

Esta é do Google Imagens

O nome turco deste amuleto contra o mau-olhado é "nazar boncuk". Quando a energia ruim bate forte, ele se quebra.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sanliurfa e Göbekli Tepe



Sanliurfa é uma cidade curiosa, no sudeste da Turquia, numa região conhecida como Curdistão turco. Antigamente se chamava Edesa.  

Consta ter sido a terra natal de Abraão, o que lhe confere importância religiosa para judeus e muçulmanos  e potencial turístico como pólo de peregrinação.  

Dizem também que  Jó teria andado por lá, depois que ficou pobre.

Este é o tanque (ou piscina) de Abraão. Cheio de carpas. 





O menino vende comida para peixes.

A uns 20 km de Sanliurfa fica Göbekli Tepe, que numa tradução livre,  significa algo como o “morro do umbigo”.  

É um sítio arqueológico onde pesquisadores alemães estão desencavando um conjunto de templos religiosos com  mais de 11 mil anos de idade,  os mais antigos monumentos arquitetônicos  já descobertos.
  
Göbleki Tepe é um mistério para os que se dedicam a estudá-lo. As pedras são cortadas com precisão e exibem baixos-relevos de animais, coisas muito sofisticadas para uma época em que,  até onde se sabe, os seres humanos ainda eram nômades, não conheciam a agricultura,  a escrita, o metal, a cerâmica ou a roda. Ou seja, Göbekli Tepe não se encaixa no tempo, está fora de contexto.  

Prato cheio para quem tem espírito de Indiana Jones e se emocionou com as aventuras da arca perdida. 


Parece mesmo um umbigo, não é? Ou um rodamoinho? 


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Monastério Sumela




Não foi só a Hagia Sofia que nos levou até a região do Mar Negro.
Queríamos também  visitar o Monastério Sumela, situado a 53 km ao sul de Trabzon, encravado num rochedo a 1.200 metros de altitude,  no meio de uma reserva florestal.

Conta-se que no ano de 386 d.c. dois monges atenienses,  Sofrônio e Bernabé,  guiados pela Virgem Maria, foram incumbidos por ela de erigir ali uma ermida.  No início, os monges adaptaram cavernas naturais para servir de capela e moradia e numa delas instalaram um ícone da Virgem.  O ícone, cuja autoria era atribuída ao evangelista  São Lucas,  tornou-se um grande atrativo e aos poucos a fama do santuário foi se alastrando. Foram chegando peregrinos de toda a Anatólia e, com eles, donativos, riquezas, reconhecimento, prestigio, subsídios imperiais, privilégios e por aí vai.   

Durante 15 séculos o monastério foi referência na tradição ortodoxa cristã. Em 1923, em função da guerra greco-turca, os monges foram obrigados a abandonar o mosteiro e seus tesouros foram transferidos para outros locais.

Hoje o mosteiro é apenas uma atração turística, mas ainda mantém importância religiosa como pólo de peregrinação.  Em caráter de excepcionalidade o governo turco autorizou a realização de uma liturgia ortodoxa no dia 15 de agosto de 2010, em celebração à data da "Dormição de Maria".  Mas, ao que parece, a liberalidade parou por aí. 










O acesso ao Mosteiro  é feito à pé, por uma trilha de mais ou menos 1,5 km.  Alguns trechos são difíceis, como mostra a foto acima, mas não chegam a desanimar os visitantes.  [*]
A infra-estrutura de apoio é precária. Existe um banheiro público lá em cima, perto da bilheteria. A entrada custa 8 Liras Turcas.
Ao pé do morro alguns pequenos confortos: uma barraquinha vende milho cozido, grão de bico torrado e água mineral. Do lado, uma lojinha de souvenirs.  E só.

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[*] - As dificuldades de acesso não desanimam hoje, porque no Século IV a história era bem diferente. Um visitante de língua afiada concluiu que o Mosteiro só existe porque Sofrônio e Bernabé não conseguiram descer o morro e resolveram ficar lá por cima mesmo. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Trabzon






Trabzon  é  uma  cidade portuária do litoral norte da Turquia,  na costa do Mar Negro, com cerca de 250 mil habitantes.  Fica a uns 750 km de Ancara e é sede de um dos mais importantes clubes de futebol do país,  o  Trabzonspor.

Sua principal atração turística é o Museu de Hagia Sofia, homônimo do famoso museu de Istambul, mas muito menos conhecido.  

A construção data do Século XIII. Nasceu como igreja ortodoxa, virou mesquita, teve seus afrescos cobertos, foi usada como depósito durante a 1ª guerra, virou mesquita novamente e, em 1964, foi transformada em museu.  

O resultado de tantas intervenções é de chorar de tristeza.  Um desmazelo.  Os afrescos foram redescobertos e  “recuperados” de maneira tosca.  A conservação é precária e o local serve de abrigo a uma família de pombos.  

Hagia Sofia: Bonita e maltratada. 

 O jardim, estilo nada a ver, não permite um bom ângulo para fotos.

O campanário é do século XV e estava fechado. 

Muita coisa riscada e descascada. Esse painel foi visivelmente repintado.  

 Como chove em Trabizon! Em frente, não dá prá ver, o Mar Negro.


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O aparente "mau humor" deste post é para ilustrar o meu desapontamento com a Hagia Sofia de Trabzon. Foi a reação que tive ao ver coisas tão preciosas tratadas com tanto descaso. 
Na verdade, as condições do museu não são muito diferentes das condições da maioria dos locais de interesse turístico da Turquia. São lindos, com grande potencial e muito mal cuidados. Com raras exceções, a infra-estrutura é extremamente precária. 
Quanto à necessidade de conservação, alguém por lá deve pensar que, se duraram até hoje, não devem estragar facilmente. Pelo menos, não antes da aposentadoria do gerente ou do fim do mandato do Ministro.

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Mas, para um final feliz:


Esse tipo de joalheria é feito com fios de prata muito finos, trançados à mão com ajuda de uma agulha. Depois de preparadas as "cordinhas",  são feitos os nós e as amarrações, eventualmente intercaladas com turquesas. Muito lindo, muito delicado, muito típico da região de Trabzon. 

sábado, 15 de outubro de 2011

Ancara


Consta que Ancara foi fundada por Midas, rei da Frígia, por volta do Século VIII a.c.

E como toda lenda tem um fundo de verdade, é bem provável que o mito grego do rei Midas, que transformava tudo em ouro, tenha sido inspirado pela grande prosperidade alcançada pela Frígia durante seu reinado.

O fato é que Midas existiu mesmo, e seus restos mortais estão expostos no Museu da Civilização da Anatólia, em Ancara, dentro de uma réplica da câmara mortuária descoberta em 1957 na cidade de Gordion, a 96 km de distância.

Midas era filho de Górdio, um camponês que veio a tornar-se rei da Frígia em virtude de uma profecia. Para não se esquecer do passado humilde, Górdio amarrou sua carroça no templo de Zeus, dando o famoso nó cortado por Alexandre Magno quinhentos anos depois.

Legal, não é?

Ancara (os turcos pronunciam “Ânkara”) hoje é a segunda maior cidade da Turquia e sua capital desde 1923, quando Atatürk aboliu o sultanato, dissolveu o califado e proclamou a república.

Parque da Juventude.

Antigo edifício da Assembléia Nacional

Monumento em homenagem a Atatürk, o pai dos turcos
 
Esta praça pertence a um complexo onde se visita a Mesquita Haci Bayran e as ruínas do Templo de Augusto. Lugar muito tradicional e muito agradável. Não quiseram me vender um adesivo com versículos do Corão porque não sou muçulmana.

Cidadela de Ancara. Lá de cima a vista é linda.

Museu da Civilização da Anatólia. Imperdível.

Chafariz estilo Chapeleiro Maluco.

São muitas as mesquitas de Ancara.

Essa torre pertence a um Shopping Center. Havia um restaurante panorâmico lá no topo, mas está fechado. Existe um mirante.

As ruínas servem de cenário para a exposição dos artesanatos

Este é o Sr. Naci Ozturk, nosso guia por uma tarde. Nos encontramos por acaso, já que o centro de informações turísticas da  Praça da Juventude não quis nos indicar nenhum tipo de tour guiado.  Quem precisar de um guia em Ancara pode procurá-lo.
O telefone é 0 (532) 251 1474
[Cortesia do Seguindo Andiante]

Apenas bons amigos

Uma das entradas do Memorial de Atatürk. Fecha às cinco, chegamos tarde.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

De volta pro meu aconchego



Depois de tantos dias sem postar nada, estou achando difícil retomar as conversas aqui no blog.

Como já contei, saí para um giro pela Turquia, na companhia de amigos. Foram 25 dias de muita curtição, andando pelo país num Jetta cinzento (quase novo) alugado em Istambul.

Rodamos seis mil quilômetros. Vale dizer, muito tempo dentro do carro, para o meu gosto. Felizmente, com boas contrapartidas: muitos lugares inusitados, muitas fotos, histórias interessantes para contar na volta, muitas risadas e lembranças lindas para a vida inteira.

Tudo começou quando dois amigos se encontraram na esplanada dos ministérios no ano passado, com o objetivo de fotografar um concurso de balonismo e - quem sabe - descolar a oportunidade de dar um passeio.
Frustrados nessa última intenção, surgiu a idéia da revanche: andar de balão na Capadócia, sabidamente o passeio “top de linha” nessa categoria.
Convites enviados e aceitos, foi formada a equipe. O roteiro foi obra coletiva. Nasceu com os balões e desenvolveu-se a partir de conversas, desejos secretos, imagens e referências capturadas no Google ou em guias de viagem.

Vou contar aos pouquinhos, à medida da inspiração, da disposição e da memória. Espero que os muito aventureiros não se desapontem. Viajar com GPS, iPhone e booking.com é tão fácil que pode até ofender os autênticos Julios Verne de espírito.