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segunda-feira, 9 de abril de 2012

A história que não se pode ignorar

O documentário é primoroso.
 
"O Dia que durou 21 anos" esclarece como e por que razões foi construído o ambiente político que resultou no golpe militar de 64.

Eu cresci durante os anos de chumbo, vivenciei  a consolidação da ditadura, a censura, a mordaça, o medo, a truculência oficial e a banalização da tortura. E desde muito cedo aprendi que o terror morava nos quartéis e não nas escolas. Mesmo assim, confesso que desconhecia as origens da conspiração e o grau de envolvimento dos Estados Unidos no apoio aos golpistas.

Está tudo lá, som e imagem. Uma página infeliz da nossa historia, bem documentada, para ser vista,  compreendida e exorcizada. Para nunca mais.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Brasilia marcha contra a corrupção


A convocação foi feita pela Internet, pelas redes sociais, pelo boca-a-boca  e mais uma vez passou ao largo da mídia tradicional.

Até aí, nada de novo. Movimentos populares demoram a adquirir visibilidade. Só aparecem no Jornal Nacional depois de transposto o "ponto sem volta", depois da maioridade. 

Não sei quantas pessoas estavam por lá, mas a  marcha que movimentou Brasilia hoje de manhã me lembrou o Pacotão nos seus melhores tempos.   Só que sem cerveja.
Menos desafiador, mas nem por isso menos contundente. Talvez mais raivoso do que alegre - e com razão.

Imagens valem mais do que palavras.























quarta-feira, 31 de agosto de 2011

265 - Melô do rabo preso

Para Durval, Jaqueline e sua galera diferenciada.


Resumo da ópera: Receber dinheiro ilegal é legal. Para saber mais, clique aqui.

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Atualização - 4/set/2011:

Copio abaixo um comentário de Carlos Brickman publicado hoje no Blog da Maria Helena. Achei pertinente reproduzir aqui.

"Indecorosa ou corrupta?

A defesa da deputada federal Jacqueline Roriz (PMN-DF), aceita pela Câmara, sustentou que ela não poderia perder o mandato porque, quando foi filmada recebendo dinheiro, não era parlamentar. Logo, não atentou contra o decoro parlamentar e por isso não seria correto cassar seu mandato por falta de decoro.

OK: mas, usando o mesmo argumento, nada mais justo do que processá-la, como cidadã comum que era, pelo caso do dinheiro. Do jeito que está é esquisito: como era cidadã comum, e não deputada, não pode perder o mandato; mas, sendo hoje deputada, e não mais cidadã comum, tem foro privilegiado, o Supremo Tribunal Federal.
Talvez a lei seja diferente (e seria preciso mudá-la urgentemente), mas certas pessoas têm de escolher se são corruptas ou indecorosas."


 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Chose de loque (ou de Paloque)

Do Blog do Noblat



Palocci é maluco


Blog de Augusto Nunes


Quem tem dólares de sobra para comprar um imóvel, mas prefere jogar dinheiro fora pagando aluguel, não precisa de consultoria econômica e financeira. Precisa de uma clínica psiquiátrica.

Quem aluga um apartamento sem ter a menor a ideia de quem é o locador, e sem verificar a situação legal do endereço onde vai morar com a família, deve dispensar-se de recorrer a consultores ou psiquiatras. Idiotas juramentados não ouvem conselhos. E não têm cura.

Quem compra um apartamento por R$ 6,5 milhões e continua pagando mais de R$ 15 mil para morar num alugado, fora o IPTU e a taxa de condomínio que acrescentam outros R$ 6 mil à bolada mensal, deve ser imediatamente interditado por parentes sensatos e internado num hospício.

Surpreendido por VEJA no meio de um laranjal suspeitíssimo, ansioso por provar que não é o proprietário também do apartamento supostamente alugado, o ministro Antonio Palocci precipitou-se em explicações que o enquadram nos três parágrafos anteriores.

Para justificar a demissão do chefe da Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff já não precisa confessar que nomeou para o cargo um traficante de influência. Basta dizer que descobriu só agora que Palocci é maluco.
Para entender melhor o caso clique aqui.



Comentário do Blog:

É a mesma velha fábula adaptada para os dias atuais.
Era uma vez três porquinhos: Dutra, Cardoso e Palocci.
O lobo mau soprou e pof! Lá se foi a primeira casa pelos ares.


sábado, 26 de março de 2011

Um Requiem para a Ficha Limpa



Réquiem ætérnam dona eis, Dómine,
Et lux perpétua lúceat eis
Riquiéscant in pace.

Amen

+ + + + +

Registro para a posteridade:

"A Lei da Ficha Limpa, no meu modo de ver, é um dos mais belos espetáculos democráticos, posto que é uma lei de iniciativa popular com escopo de purificação no mundo político"
Declaração de Luiz Fux, o novo juiz do STF, ao desempatar a votação e detonar a lei da Ficha Limpa com seu voto contra.  
+ + + + +

Votaram a favor da lei:
Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Ellen Gracie, Ricardo Lewandowski.
Votaram contra:
Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Cezar Peluso, Celso de Mello, Dias Toffoli e Luiz Fux, o carrasco.
+ + + + + 
Jáder Barbalho expressou seus agradecimentos ao colegiado com uma caixa de bombons de chocolate e castanhas do Pará, com recheio de cupuaçu. Pensou também em coxinhas de rã congeladas, mas desistiu porque podia parecer deboche.
Joaquim Roriz quis cortar os pulsos, teve um piripaque e foi internado em S.Paulo, onde recebeu a visita de sua filha Jaqueline, também muito precisada de ajuda para limpar a própria ficha.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Notícias de lá



Manchetes recolhidas no site http://luandadigital.com, em ordem cronológica:

- Angola: Grande mobilização para a manifestação de sábado (4/3/2011 - 11:32:42)

- Angola: Manifestantes detidos em Luanda (7/3/ 2011 - 11:11:25 )

- Angola: Cancelada a manifestação anti-Governo (7/3/ 2011 - 15:40:25 )

- Angola: Promotores escondem fracasso da manifestação (7/3/2011 -17:09:45)

Muito esclarecedoras.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Cairo de hoje




Estive no Cairo em 2009, num pit-stop rapidinho que registrei aqui no blog.

Mas o que uma pessoa faz no Cairo, sozinha, em um pit-stop rapidinho? Eu não tive dúvida nenhuma: uma visita às pirâmides e outra ao museu.

A primeira, porque a esplanada de Gizé é uma das coisas mais deslumbrantes que já tive a oportunidade de contemplar na minha vida.

A segunda, porque o Museu do Cairo é ... assim... surreal. Visto por dentro, parece um grande galpão de depósito, onde a gente se perde para descobrir as coisas de muito antigamente, quando o mundo era outro.

As imagens aqui de cima me emocionaram muito. São do Cairo de hoje. Tanques de guerra no lugar dos camelos; barreiras humanas para proteger a história da civilização; multidões pedindo a Alá o direito à cidadania e à dignidade.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A volta dos que não foram





"Frase do Dia:

"Como é que nós vamos dizer que ele [Delúbio Soares] não pode se filiar? Nenhum de nós tem condição moral ou política de dizer que ele não pode militar no PT.”

André Vargas, secretário de Comunicação do PT, coberto de razão"





segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Reincidente

A notícia está na Voz da América



A embaixada de Angola em Washington está, outra vez, sem contas bancárias nos Estados Unidos. Desta vez, as contas foram encerrradas pelo banco Sonabank, onde a missão diplomática angolana as abrira há menos de um mês, com uma carta de recomendação do Departamento de Estado.

Esta é a terceira vez em sete meses, que a embaixada de Angola em Washington vê um banco encerrar as suas contas, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de funcionamento desta missão diplomática.

A embaixada abriu contas no Sonabank, Southern National Bankcorp of Virgínia, no final do mês passado, solucionando assim uma crise aberta pelo Bank of America, que lhe encerrara as contas quase dois meses antes.
A perda de serviços bancários pela embaixada gerou tensão entre Luanda e Washington. O encarregado de Negócios americano em Luanda, David Brooks, foi chamado ao Ministério das Relações Exteriores, e a embaixadora angolana em Washington, Josefina Pitra Diakité, foi chamada à sua capital para consultas.

Depois do encerramento das contas pelo Bank of America, e antes pelo Banco HSBC, Angola exigiu aos Estados Unidos que resolvesse o problema, alegando que, sem acesso a contas bancárias, a embaixada não pode funcionar normalmente, pois fica sem meios para pagar salários, renda e despesas correntes.

O Departamento de Estado disse estar interessado em ajudar Angola a manter a embaix ada a funcionar, mas lembrou que, por lei, não pode obrigar nenhum banco a aceitar qualquer cliente.

E, no mês passado, escreveu uma carta de recomendação, com base na qual o Sonabank acedeu a prestar serviços bancários à embaixada e tendo sido abertas várias contas. Só que, esta semana, o banco escreveu à embaixada anunciando que encerrava as suas contas, após uma análise legal do seu histórico bancário.

O banco não disse, especificamente, que transacções detectou que possam ser consideradas questionáveis. Uma investigação do Senado americano, há cerca de um ano, denunciou transferências ilegais do banco central para contas privadas.

Um diplomata americano instado pela VOA a pronunciar-se sobre que transacções se podem ter sobreposto a uma carta de recomendação do Departamento de Estado, disse que essa pergunta devia ser apresentada ao banco e à embaixada.

À VOA um diplomata angolano disse que esta situação “compromete as relações entre os dois países e causa desconforto”.

A embaixadora Josefina Pitra Diakité, entretanto regressada a Washignton quando o problema se resolveu, está de novo em Luanda.

A viagem à capital estava programada – a embaixadora vai participar na reunião do Comité Central do MPLA - mas a carta do banco foi recebida imediatamente antes da partida da diplomata.

Até a crise se resolver, a embaixada angolana terá que recorrer às contas bancárias do consulado de Angola em Houston, no Texas, como fez durante os meses de Novembro e Dezembro passados.
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Comentário do Blog:

Enquanto isso, o Banco Nacional de Angola anuncia a criação de um componente organizacional vocacionado à "prevenção e detecção de tentativas de utilização do sistema financeiro angolano para actos de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo".
Exatamente o mesmo tipo de cuidado que, praticado pela polícia financeira do Tio Sam, resultou no bloqueio das contas da Embaixada.
A iniciativa do BNA é louvável, se for além da mera conversa fiada. E existem as contas das reservas, para começar a  praticar. O melhor exemplo começa em casa.  



Vê se maneraê, Josefina.












Atualização:

O Blog Morro da Maianga abordou com grande propriedade a questão da lavagem de dinheiro (ou branqueamento de capitais) em Angola, e sua indissociável relação com a corrupção governamental e desvio de verbas públicas. 
Recomendo a leitura do post Angola já é uma grande "lavandaria"?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ADO-A-ADO

Este não é um blog de debate econômico. Até evito o assunto, mas fiquei com vontade de abrir uma exceção.

Isso porque o Ministro da Fazenda Guido Mantega convocou hoje à tarde uma coletiva de imprensa para dizer que o governo não permitirá que o dólar “derreta”.

Ora, eu também não quero que o dólar derreta, e muita gente também não quer. Poderíamos gastar um bocado de latim discutindo sobre a “taxa de câmbio ideal”, e sobre vantagens e desvantagens da "apreciação" versus "depreciação" da moeda nacional.

Mas não se trata disso.

A questão é que “taxa de câmbio” não é assunto do Ministério da Fazenda. É assunto do Banco Central. E sempre que alguém da área econômica do governo - fora do Banco Central - abre o bico para anunciar a possibilidade adoção de medidas na área de câmbio, é mau sinal.

Imagine se o Presidente do Banco Central convocasse uma coletiva de imprensa para anunciar o valor do salário mínimo ou a correção da tabela do Imposto de Renda. Não ficaria esquisito?

Pois é a mesma coisa.

A menos que... a menos que... a desejável, discutida e nunca assumida independência (ou autonomia, se preferirem) do Banco Central esteja indo pras cucuias de vez .

Meirelles era macaco velho, manteve o controle do seu território apesar das discordâncias e investidas de Mantega.

Tombini é um economista respeitado mas, nessas horas, timidez é uma coisa preocupante. Se não demarcar espaço rapidinho, vai ficar sem o seu quadrado.

sábado, 30 de outubro de 2010

Piadinha pré-eleitoral em duas versões



Primeira versão:

No dia 02 de Janeiro de 2011, um senhor idoso se aproxima do Palácio da Alvorada e fala com o "Dragão da Independência" que montava guarda:

- Por favor, eu gostaria de entrar fazer uma entrevista com o Presidente Serra.

O soldado olha para o senhor e diz:

- Senhor, o Sr. Serra não é presidente e não mora aqui.

O senhor diz:

- Está bem - e vai embora.

No dia seguinte, o mesmo senhor idoso se aproxima do Palácio da Alvorada e fala com o mesmo "Dragão":

- Por favor, eu gostaria de entrar fazer uma entrevista com o Presidente Serra.

O soldado novamente diz:

- Senhor, como lhe falei ontem, o Sr. Serra não é presidente nem mora aqui.

O senhor agradece e novamente se vai.

Dia 04 de janeiro ele volta, aproxima-se do Palácio Alvorada e fala com o mesmo guarda:

- Por favor, eu gostaria de entrar e fazer uma entrevista com o Presidente Serra.

O soldado, compreensivelmente irritado, olha para o senhor e diz:

- Senhor, este é o terceiro dia seguido que o senhor vem aqui e pede para falar com o Sr. Serra. Eu já lhe disse que ele não é presidente, nem mora aqui. O senhor não entendeu?

O homem olha para o soldado e diz:

- Sim, eu compreendi perfeitamente, mas eu ADORO ouvir isso!

O soldado, em posição de sentido, presta uma vigorosa continência e diz:

- Até amanhã, senhor!!!


Segunda versão: (para eleitores do Serra)


É a mesma coisa, basta trocar o nome do presidenciável.

Up Date pós-eleitoral: A eleição da Presidente Dilma Russef desautoriza o uso da versão alternativa pelos próximos quatro anos. Os eleitores de Serra terão de esperar a próxima campanha, se o Aécio concordar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por que a galinha atravessou a rua?


Serra e Dilma respondem: “Por que a galinha atravessou a rua?”

Dilma Rousseff: “No que se refere ao fato de a galinha ter cruzado a rua, eu considero que este é mais um ganho do governo do presidente Lula. Eu considero que foi apenas depois que o presidente Lula me pediu para coordenar o PAC das Ruas é que as galinhas no que se refere ao cruzamento das ruas tiveram a oportunidade de poder cruzar as ruas, coisa que, aliás, só as galinhas com maior poder aquisitivo podiam no governo FHC, no qual o meu adversário foi ministro do Planejamento e da Saúde”.

José Serra: “Olha, este é mais um trololó da campanha petista. Veja bem, as galinhas cruzam as ruas no Brasil, há anos. Eu mesmo coordenei a emenda na Constituição que permite o direito de ir e vir das galinhas. Eles ficam falando que foram eles que inventaram esse cruzamento de ruas, mas já no governo Montoro, quando eu era secretário do Planejamento, as galinhas cruzaram as ruas com maior segurança. Eu, por exemplo, criei o programa Galinha Paulistana, que permitiu que milhares de galinhas pudessem cruzar as ruas e, agora no meu governo, vou criar o “Galinha Brasileira”, em que toda galinha terá direito de cruzar as ruas quantas vezes quiser “

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Essa foi para desopilar. É raro, mas de vez em quando alguém manda um e-mail eleitoral engraçado.  Obrigada, Maurílio.

domingo, 17 de outubro de 2010

Debate de surdos


Sonífera ilha.
O mais interessante foram as omissões.
Porque será que o aborto saiu da pauta? ;)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Falando sério

Do Blog do Noblat
Artigo do jornalista Luiz Cláudio Cunha


Roriz, o macaco, a fraude e a piada de palhaço

Sebastião tinha 1m52 de altura, 70kg de peso e 34 anos quando morreu de diabetes, na véspera do Natal de 1996.

Oito anos antes quase conquistara a prefeitura do Rio de Janeiro, a segunda maior capital brasileira, arrebatando mais de 400 mil votos do esclarecido eleitorado carioca. Foi o terceiro mais votado entre 12 candidatos.

Se tivesse vencido, não seria empossado. A família Hominidae, da qual Sebastião fazia parte, não tinha nenhuma tradição política. Ele fazia parte de uma espécie, os pan troglodytes, popularmente conhecida como chimpanzé.

Carinhosamente aclamado pelas crianças como ‘Macaco Tião’ no Zoológico do Rio, ele foi a invenção política mais divertida do Casseta & Planeta, antigo programa humorístico da Rede Globo. Sebastião ganhou a eternidade no livro Guinness de recordes como o chimpanzé mais votado do mundo.

O ‘Macaco Tião’ é o deboche escancarado na política brasileira, que apela para o bizarro quando leva o eleitor ao voto de protesto fantasiado pela ironia, pelo bom humor e pela graça.

Isso já acontecera no final dos anos 50, nas eleições municipais de São Paulo, quando alguém se impressionou com uma praga hoje felizmente extirpada do território brasileiro: o baixo nível dos 450 candidatos que disputavam então uma vaga na Câmara Municipal.

Antecipando em três décadas o ‘Macaco Tião’ carioca, lançou-se em São Paulo a candidatura a vereador do rinoceronte ‘Cacareco’, do Zoo da capital paulista, numa época em que cada eleitor escrevia o nome de seu candidato numa cédula de papel. Cem mil paulistanos tiveram a pachorra de escrever no seu voto o nome do mamífero chifrudo e de casca mais grossa que a maioria da fauna política nacional. ‘Cacareco’ foi o nome mais sufragado da eleição de 1959, superando sozinho os 95 mil votos do partido mais consagrado nas urnas.

‘Tião’ e ‘Cacareco’ representam a face divertida e moleque da política.

Weslian, 1m70 de altura, 76kg de peso e 67 anos, é a faceta sem graça, a cara do escárnio, o lado mais debochado a que chegou a política em Brasília, a capital de 190 milhões de brasileiros, supostamente o centro mais esclarecido de uma multidão de 135 milhões de eleitores.

Da família Roriz, grife de um clã político que governou o Distrito Federal em quatro mandatos, num total de 14 anos, Weslian fez sua retumbante e tardia estréia nas eleições de 2010 na noite de terça-feira (28), no debate da Rede Globo com os candidatos a governador, quando faltava menos de uma semana para o pleito de 3 de outubro.

Weslian entrou no jogo eleitoral pela porta dos fundos: foi apontada na sexta-feira (24) pelo marido, o ex-governador Joaquim Roriz, que na véspera viu o Supremo Tribunal Federal empacar (5 votos contra 5) no julgamento em que ele tentava escapar dos efeitos sanitários da Lei da Ficha Limpa, que cassou Roriz por envolvimento e renúncia em um escândalo de corrupção.

Com o cálculo político da esperteza, Roriz imaginou enganar a lei e iludir os eleitores trocando seis por meia dúzia. Renunciou preventivamente e botou no lugar a mulher, dona Weslian, uma simplória dona de casa, companheira de 50 anos de casamento e dedicada a obras de cunho social e benemerente. Assim, mantinha o nome Roriz na tela de votação e o número da coligação, o que reviveu o mote de um antigo seriado de TV: o ‘Casal 20’.

A frieza de carrasco de Roriz ficou evidente no debate da Globo, quando expôs a mulher a um dos mais sórdidos espetáculos de auto-imolação já encenados na política brasileira.

Weslian, coitada, surgiu no estúdio, patética e apatetada, tentando interpretar o papel que o marido lhe empurrou, goela abaixo, exibindo toda a fragilidade de um projeto político esfacelado pelo advento da Lei da Ficha Limpa. Honrada e despreparada, Weslian tropeçava na gramática, no raciocínio, no noviciado e na improvisação, trocando perguntas, confundindo candidatos e espantando a grande maioria dos 1,8 milhão de eleitores da capital brasileira.

Não soube nem mesmo administrar as dezenas de folhas, perguntas e respostas preparadas pela assessoria de Roriz, perdendo minutos preciosos tentando localizar a ‘cola’ salvadora. Não conseguiu nem mesmo usar, na plenitude, o tempo precioso reservado às perguntas e respostas. Não se fazia entender na hora de perguntar, não conseguia compreender a questão na hora de responder. Ao tentar responder uma pergunta sobre ‘transporte público’, dona Weslian lembrou que o candidato do PT, ex-comunista, não acreditava em Deus e devolveu com uma pertinente questão: “O senhor é contra o aborto?”.

Foi uma das cenas mais constrangedoras e pungentes de toda a campanha eleitoral de 2010, em qualquer quadrante do Brasil.

O desamparo e o abandono de dona Weslian, jogado às feras da política pelo marido impiedoso e insensível, desatou uma imprevista corrente de piedade para com a inesperada candidata, filha de um rico fazendeiro de origem libanesa que pastoreava o cerrado do Planalto no quadriláteiro que, anos depois, JK, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer demarcariam para encravar a futura capital brasileira. Misericordiosos, os três candidatos adversários – do PT, PSOL e PV – fizeram perguntas entre si, poupando a criatura de Roriz, que tropeçava em seus papéis, em suas frases, em suas idéias inacabadas.

Weslian, cristã e católica fervorosa, invoca sempre Deus e Nossa Senhora, lembrando que acompanhou de perto a vitoriosa carreira do marido. “Ele sabe administrar uma fazenda como ninguém”, confessou no debate, fazendo uma involuntária metáfora sobre o estilo que o Casal 20 agora evoca nos últimos momentos do programa eleitoral de rádio e TV, com seu lema de campanha: “Weslian vai trazer de volta o jeito Roriz de governar”.

Mais do que a fraude explicitada pela manobra esperta do marido, Weslian encarnava, no estúdio refrigerado da Globo, o personagem ridículo e subalterno que joga no chão a política brasiliense. Uma proeza nada desprezível para uma cidade que já viu desfilar figuras inusitadas, folclóricas, divertidas ou lamentáveis como Fernando Collor, Cacique Juruna, Severino Cavalcanti, Paulo Maluf, Clodovil, Roberto Jefferson, Agnaldo Timóteo, José Roberto Arruda e o próprio marido de Weslian, o implacável Joaquim Roriz.

A fauna política que teima em habitar o bioma do Cerrado é gerada, em boa parte, pela flacidez das leis e pela tolerância ou pelo bom humor do eleitor que, na falta de um ‘Macaco Tião’ ou de um ‘Cacareco’, acaba descobrindo utilidades inesperadas ou debochadas para o seu voto. Agora mesmo, as previsões mais modestas apontam o palhaço ‘Tiririca’ como um dos campeões de voto para a Câmara dos Deputados, virtualmente eleito com quase um milhão de votos pelo PR de São Paulo, o que seria a maior votação do país.

Ao contrário do Supremo, que decidiu não decidir no julgamento de Roriz, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do DF resolveu, na tarde desta quarta-feira (29), brecar o truque do ex-governador, vetando toda a propaganda de rua e os programas de rádio e TV que exaltam o Casal 20, um flagrante desrespeito à lei e um claro embuste da renúncia voluntária e programada de Roriz. Ele não poderá mais aparecer ao lado da mulher, como fiador, conselheiro ou sequer ‘amado esposo’ da candidata inventada de última hora para escapar da lâmina afiada da Lei da Ficha Limpa.

Não existem evidências de que Joaquim Roriz inveje o quociente intelectual ou a vestimenta colorida de ‘Tiririca’. Mas a desastrosa aparição de Weslian na corrida eleitoral e no debate da Globo reforçam a suspeita de que Joaquim Roriz vê os habitantes de Brasília com o nariz vermelho de palhaços, como aqueles que acreditam que “a política, pior do que está, não fica”. Com a ajuda do ex-governador, sabe-se, sempre poderá ficar.

No domingo, dia 3, os eleitores conscientes da capital brasileira terão a chance de devolver esta piada sem graça, cravando seus votos em quem merece.

Não precisam nem eleger o macaco ou o rinoceronte. Basta repudiar a fraude.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

As sujas fichas-limpas

Da série: pouca-vergonha é pouco




Vamos fazer assim: Se o ficha-suja não puder (ou tiver medo de) se candidatar, bota um ficha-limpa no lugar. Os eleitores nem precisam ficar sabendo, porque vão precisar votar mesmo no ficha-suja para eleger o ficha-limpa.
De qualquer forma, para não ter confusão, fica combinado desde já que, se o ficha-suja tiver muito voto e o ficha-limpa ganhar, quem manda é o ficha-suja.

Entendeu ou não?

Se não entendeu, não faz a menor diferença. Quem precisava entender já entendeu, e a moda já pegou.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Esculhambação geral

1 - Ficha Limpa empata por 5 a 5 e o Supremo empaca sem decidir o critério de desempate. Uma das possibilidades é não resolver nada e deixar o assunto a cargo do Lula, que quando tiver tempo um dia desses nomeará um novo “notável” para preencher a vaga existente.

2 - Roriz renuncia à candidatura e coloca a sua mulher no lugar, pessoa com vasta experiência nas lides domésticas. Como as urnas eletrônicas já estão lacradas, os bem desinformados eleitores brasilienses votarão na nova marionete candidata escolhendo o número e a foto do renunciante. 

3 - O filme “Lula Filho do Brasil” é escolhido para representar o País no Oscar, à revelia da opinião pública, que votou maciçamente em “Nosso Lar”.

4 - O palhaço Tiririca, candidato por São Paulo, deverá ser o deputado mais votado do País, com o bordão “Vote em Tiririca, pior do que está não fica”.

 
Palhaços somos nós.

sábado, 11 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A culpa é da Dilma II

 E a campanha continua:

- Foi a Dilma quem inventou a vuvuzela.

- Foi a Dilma que mostrou o fruto proibido a Eva.

- Moisés rodou 40 anos no Deserto do Sinai, porque Dilma escondeu o mapa.

- Deus ia fazer o mundo em 4 dias mas houve atraso na obra do PAC.

- A Al-Qaeda era só um grupo de árabes nerds, fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma.

- Dilma gostava de apertar campainha e sair correndo. "Ela fez isso duas vezes na minha casa", revela ex-vizinha indignada.

- Erro de Dilma nos cálculos provocou inclinação da Torre di Pisa.

- Folha de São Paulo: "Dilma lava as mãos. Cristo é crucificado".

- Dilma pagou a Brahma com dinheiro público para pintar as latinhas de onda vermelha.

- Pesquisa DATAFOLHA aponta empate técnico entre Serra e Dilma. Serra 23%, Dilma 53%. A margem de erro é de 30 pontos.

- Quando fez a 1ª comunhão, Dilma mastigou a hóstia...

- Dilma vai mandar pintar estrelas na linha Vermelha do Rio...

- Bomba: Dilma tentou impedir entrada de Tucanos na Arca... Noé confirma e reclama: A lista foi copiada pelo comitê dela!

- Folha Ilustrada: Dilma proibe os escravos de Jó de jogarem kaxangá.

- A Folha Informa que foi Dilma a culpada pela separação de Edson Celulari e Cláudia Raia.

- Dilma ensinou Lula a ler.

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Veja mais no
- Blog do Luis Nassif 
- Twitter (#DilmaFactsByFolha)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A culpa é da Dilma


Da série: "Assim sim, mas assim também não". 

Depois que a Folha de São Paulo de Domingo publicou que "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma", iniciou-se no twitter o movimento virtual "A culpa é da Dilma", bem ao estilo da campanha do "Cala a boca Galvão":

- "Dilma é a principal pedra que impede a saída dos mineiros chilenos da mina";

- "Por falha de Dilma, PAC do muro de Berlim atrasou e ele acabou caindo";

- "Dilma ordenou que Massa desse a vitória a Alonso no GP da Alemanha";

- "Por ser masoquista, Dilma se auto-torturou, dizem fontes militares";

- "Folha Kids: boi assustador de cara preta, filiado ao PT desde 1980, revela: quem mandou pegar a criança foi a Dilma";

- "Dilma é prima em terceiro grau da tia do cunhado do embaixador do Afeganistão. Ou seja: tem ligação com Bin Laden";

- "Folha Kids: Soldado com cabeça de papel denuncia: Dilma terrorista mandou botar fogo no quartel".

Ainda bem que ainda temos humor suficiente para lidar com a imprensa livre, séria, informativa e isenta. Se bem que, se a imprensa não tem sido muito livre, séria, informativa e isenta ultimamente, a culpa é mesmo da Dilma.

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Leia também no I-Piaui Herald:
- Espiões violam o sigilo da neta de Serra
- Pesquisadores revelam fraudes contra a família Serra ao longo dos séculos

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O cordel da Dilma



Um PAC com Dilma


de Miguezim de Princesa, paraibano e poeta cordelista radicado em Brasília.


Quando vi Dilma Roussef
Sair na televisão
Com o rosto renovado
Após uma operação,
Senti que o poder transforma:
Avestruz vira pavão.

De repente ela virou
Namorada do Brasil:
Os políticos, quando a vêem,
Começam a soltar psiu,
Pensando em 2010
E nos bilhões que ela pariu.

A mulher, que era emburrada,
Anda agora sorridente,
Acenando para o povo,
Alegre, mostrando o dente,
E os baba-ovos gritando:
É Dilma pra presidente!

Mas eu sei que o olho grande
É na montanha de bilhões
Que Lula botou no PAC
Pensando nas eleições
E mandou Dilma gastar,
Sobretudo nos grotões.

Senadores garanhões,
Sedutores de donzelas,
E deputados gulosos,
Caçadores de gazelas,
Enjoaram das modelos,
Só querem casar com ela.

Eu também quero uma lasquinha
Uma filepa de poder
Quero olhar nos olhos dela
E, ternamente, dizer
Que mais bonita que ela
Mulher nenhuma há de ser.

Eu já vi um deputado
Dizendo no Cariri
Que Dilma é linda e charmosa,
Igual não existe aqui,
E é capaz de ser mais bela
Que Angelina Jolie.

Dilma pisa devagar
Com seu jeito angelical,
Nunca deu grito em ninguém
Nem fez assédio moral
Ou correu atrás de gente
Com um pedaço de pau.

Dilma superpoderosa:
8 bilhões pra gastar
Do jeito que ela quiser,
Da forma que ela mandar,
Sem contar com o milhão
Do cofre do Adhemar

Estou com ela e não abro:
Viro abridor de cancela,
Topo matar jararaca,
Apagar fogo na goela,
Para no ano vindouro
Fazer um PAC com ela.