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sábado, 3 de dezembro de 2011

O Parque Nacional de Göreme

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Göreme é muito diferente de tudo o que eu já tinha visto antes. Fica na Capadócia, região central da Turquia, e é considerada patrimônio da humanidade desde 1985.

Imagine uma paisagem extra-terrestre.

Imaginou?

Göreme é assim. Até dá para entender porque São Jorge, depois de morto, resolveu morar na lua: para matar saudades da sua terra natal.





Fomos até lá para voar de balão, e posso dizer (quase) sem hesitar que foi o passeio mais bonito que já fiz na vida.  Mais bonito que mergulhar em Noronha.
Acordamos de madrugada, uma van foi nos buscar no hotel. Os balões saem ao amanhecer, aproveitando o friozinho da noite e as correntes de ar produzidas pelo calor do sol nascente.  É um espetáculo - como diriam os antigos - inefável. Um deslumbramento.





Os vôos de balão são a atividade turística mais bem resolvida que vi na Turquia, com infraestrutura muito profissional.

As formações rochosas de origem vulcânica são impressionantes.  Nos primeiros séculos da era cristã começaram a ser escavadas e usadas como moradia, esconderijo e lugares de culto. Muitas cavernas ainda hoje são habitadas, e algumas têm sido  adaptadas como hotéis e pousadas na vila de Goreme.


 Caprichos da Natureza

Energia Yin

E Yang

A charmosa vila de Göreme

Conforto e modernidade nos hotéis-caverna. 

Balões são espetáculo também para quem não voa.

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Ficha Técnica:

1 - Balões: Contratamos o "Deluxe Ballon Tour" da  Göreme Balloons (www.goremeballoons.com). O vôo durou um pouco mais  de uma hora e meia, em um balão com capacidade para 10 pessoas. São 5 de cada lado da cestinha e todo mundo tem lugar na borda. 

2 - Outros passeios imperdíveis em Göreme são o Museu a Céu Aberto e a Cidade Subterrânea. As agências locais organizam vários roteiros.  Vale reservar 3 dias para desfrutar de tudo.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Programão: Nemrut dagi


O dia amanheceu lindo. Deixamos o hotel às oito.  Às oito e vinte estávamos saindo da cidade (Erzincan), admirando a linda paisagem dos arredores.

[Se houver uma próxima vez, darei um tempo em Erzincan para um rafting 
pelo Rio Eufrates.]  



Às 13:30 fizemos a primeira parada para um xixi e uma água mineral.
Foi rapidinho, tipo vapt-vupt,  tempo suficiente para bater umas fotos e esquecer em cima do balcão a capa da máquina fotográfica, contendo um cartão de memória de 8 gigas novinho em folha e uma bateria suplementar recém-carregada.



Esqueci aqui.

Das 13:45 às 15:30,  de volta ao carro, prosseguimos até o Monte Nemrut, parque nacional considerado pela Unesco como patrimônio mundial desde 1987.

São 2.260 m de altitude e lá em cima estão as ruínas de um monumento funerário  mandado construir pelo rei Antíoco,  no ano 60 a.c., com estátuas gigantes que o representam e imortalizam ao lado de deuses e heróis mitológicos.  Consta ter sido realizado como um presente às futuras gerações e um tributo de agradecimento aos seus antepassados  e deuses protetores.
  
Enfrentamos um trecho de estrada bem perigoso, em manutenção, com máquinas na pista, parte dele recém pixado.  

Adorei o detalhe do sapatinho da pastora. 

Ai, ai! Pobre pintura do nosso “Jetta-quase-novo”!

Das 15:30 às 16:30, visita às ruínas de Nemrut Dagi.








Quanto à infra-estrutura, nenhuma indicação, nenhuma placa, nenhum banheiro, nenhuma barraquinha para vender água mineral, ninguém que soubesse falar inglês.  Necas de catibiriba.

Este é o trailer do vigia.

Das 16:30 às 22:30, carro de novo, sem almoço, até o hotel em Sanliurfa.

Valeu a pena?
Já disse o Fernando Pessoa que "tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
Ele bem sabia das coisas. 





quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Pit stop em Zigana



Saindo do mosteiro Sumela até  Erzincan, onde deveríamos pernoitar, são uns 200 km de serra. O percurso é lindo, mas existem muitos trechos em obras. Às vezes a estrada fecha, esperando explodirem alguma pedreira, ou por segurança mesmo, em vista dos deslizamentos supervenientes.  
Quero dizer com isso que situações inesperadas sempre acontecem, mesmo quando fazemos as coisas “by the book”.  Quando não fazemos....

Por motivos de desordem operacional ficamos sem gasolina. Deveríamos ter abastecido em Maçka, antes de chegar ao monastério e deixamos para depois. Subimos os 15 km da estradinha que leva ao mosteiro com o tanque já na reserva, com luzinha acesa. Na descida, de volta a Maçka,  ups! Passou.  No próximo posto a gente pára.

O próximo posto - descobrimos depois - ficava em Torul, a 53 km de Maçka.  E considerando os 30 km percorridos entre Maçka e o mosteiro, ida e volta,  seriam 83 km rodando só no cheiro. Nem mesmo um Jetta-quase-novo seria capaz dessa façanha.

Paramos em Zigana, um lugarzinho beira de estrada, para resolver o que fazer.
Primeiro o mais urgente: um WC.  Me indicaram um estabelecimento todo tapetado, cheio de kilins, onde tive que tirar os sapatos para entrar. Nunca tinha visto nada igual antes. Nem parecido.



Um problema imediato a ser resolvido: Porta da direita ou da esquerda? Nesse dia aprendi que  em turco eu sou “bayan”.




Fomos carinhosamente acolhidos no restaurante, enquanto alguém providenciava um suprimento de gasolina que nos levasse até o próximo posto.  Mais tarde ficamos sabendo tratar-se de um local muito conceituado pela excelência da sua tradicional culinária turca.   Por ignorância, ficamos só no chá.




Não guardei o nome do restaurante, mas fica fácil de achar com esse fusca pendurado na porta.



No fim tudo se resolveu. Sei que generalizações são perigosas, mas os turcos se mostraram simpáticos, solidários e cooperativos durante toda a viagem. Como nenhum outro povo que eu conheça. A partir desse momento decidi que mais ninguém falará mal deles perto de mim.  Never more.




quinta-feira, 28 de abril de 2011

De volta ao lado A


Foi assim:

Eu cheguei, minha mala não. (1)

O hotel cancelou nossa reserva por motivos de ordem operacional e nos direcionou a  outro que ninguém conhecia. (2)

A van contratada para o transfer estava com o vidro quebrado, cheia de caquinhos voando. (3)

A chave magnética da porta do quarto do hotel não funciona. Já trocaram 4 vezes. (4)

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(1)  - Chegou na tarde do dia seguinte, intacta. Eu ganhei um kit de primeiras necesidades da Air France, uma camiseta e um crédito de 100 Euros para comprinhas básicas de emergência.

(2) - Um hotel  melhor, com frigobar no quarto, café da manhã (não incluído na diária) e banheiros uns 20 anos mais novos. Preços mantidos.

(3) - Com um motorista muito SB (sangue bom),  nos deu uma super dica de um clube de jazz que estamos a fim de conferir hoje à noite.

(4) -  Sem estresse. O porteiro sobe para abrir a porta quantas vezes for necessário. E é gato.



Tem mais coisa, depois conto o resto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

No Rio, com o pé direito

Eu não queria deixar passar o verão em brancas nuvens, ou seja, sem pegar ao menos um dia de praia e restabelecer os níveis de iodo no organismo.
No verão passado fiquei de molho, em plena recuperação pós-cirúrgica.
Por isso toquei o bonde da Web Jet pro Rio de Janeiro.

É... Acho que fui com muita sede ao pote.




terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Valeu, garoto!


Setembro de 1998. Eu caminhava por uma estradinha de terra no norte da Espanha, perto de um desses pequenos pueblos com menos de 100 habitantes, quando ouvi alguém assobiando perfeitamente a introdução ao Hino Nacional Brasileiro, aquele pedaço da “laranja da china”.

Era um menino de seus 8 ou 9 anos, vestido com a camisa 9 da Seleção Brasileira. Carregava uma bola, devia estar indo ou voltando de algum jogo.

Naquele momento, naquele pedacinho de lugar nenhum, compreendi a dimensão mundial do fenômeno chamado Ronaldo. O tamanho da sua responsabilidade, o peso da imagem que crianças do mundo inteiro idolatravam e desejavam imitar.

Ronaldo foi um gênio do futebol. Talentoso e esforçado à enésima potência, combinação rara de se encontrar em qualquer profissão.

Ontem despediu-se das chuteiras, por não mais conseguir corresponder às expectativas de sua legião de admiradores. Decidiu dar um basta às cobranças intermináveis e ver-se livre das línguas viperinas invejosas de seu talento e do seu carisma.

Por isso, meus caros professores doutores especialistas em hormônios, tireóides, hipófises, dopings, dietas e afins, vão todos à PQP e não encham mais o saco.




sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bicho Carpinteiro


Estou com vontade de ir a Nova Iorque. Por enquanto é só vontade mas, pelo sim, pelo não, resolvi iniciar preparativos. E a primeira providência foi obter um visto de entrada nos Estados Unidos. O meu já estava vencido há dois anos.

Para renová-lo precisei de tempo e paciência. Muito tempo e muuuita paciência. Dinheiro também, umas 350 pratas numa conta rasa.

Depois de pagar on line uma taxa de agendamento, consegui, em junho, marcar uma data para ir ao consulado em setembro. Quase três meses depois.

O “application form” também teve que ser preenchido on line, e me consumiu uns dois dias entre digitações e pesquisas. “Qual o número e data de expedição do seu último visto”? “Qual o nome completo, data de nascimento e endereço do seu ex-marido, do qual você se divorciou há mais de trinta anos”?

Gastei quatro dias, e muitas tentativas, para conseguir fazer um up-load da foto nos padrões exigidos de tamanho, qualidade e posição do objeto (no caso, eu). Quase desisti.

No dia marcado me apresentei no balcão do consulado dez minutos antes da hora (9:00h a.m.), para não ter problemas. Doce ilusão!

Recebi uma senha, mas deveria haver mais de duzentas pessoas aguardando atendimento. E todas na minha frente. A fila, para facilitar as coisas, era organizada em ordem randômica analfabética.

Às dez e dez tiraram minhas impressões digitais. Às dez para a uma, já morrendo de fome, fui chamada para uma entrevista de dois minutos.

Visto aprovado (ufa!), restou a fila para pagar o Sedex e receber o passaporte em casa.


O assunto está nesse pé, por enquanto. Esperando o Sedex e me coçando para fazer valer o esforço dispendido. Nova Iorque é sempre um ixpetáculo, mas tem um defeito grave de coordenadas geográficas.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Carrinhos


Não era véspera de feriado, nem o primeiro sábado depois do pagamento.
Quero dizer que era a manhã de um dia absolutamente normal, sem sol, nem chuva, nem jogo de futebol pela copa do mundo.
Fui ao supermercado (*) para uma comprinha básica: carne, verduras prá salada, café, sabão em pó e coisas do tipo.
Procurei por um carrinho, não achei.
“Acho que não tem, agora estão todos ocupados”, me disse um atendente sem mexer uma palha no sentido de resolver um problema que, até onde consigo perceber, era tão meu quanto dele ou do seu patrão.
Sem carrinho o cliente não compra, o supermercado não vende e o emprego dança. Pelo menos foi o que pensei, antes de ir embora de mãos abanando.

Será mesmo?


Há pouco tempo fui a um supermercado em Portugal, desses que ficam à beira de uma estrada e atendem várias aldeias. Pura curiosidade. Estava com um pouco de pressa, não queria me demorar. Procurei por um carrinho. Achei vários, acessíveis mediante o depósito de uma moeda de 1 Euro, recuperável na devolução do dito cujo. Como não tinha uma moeda de 1 Euro, substituí o carrinho por um cestinho de mão e satisfiz meu impulso comprador com um mero vidro de shampu.
Coisa de português, pensei com meus botões.

Será?

Os carrinhos de bagagem do aeroporto de Istambul também exigem o depósito de uma moeda. Funciona (ou não funciona) assim: você chega de viagem (do Brasil, por exemplo), passa pela imigração e vai procurar a esteira onde sua bagagem será despejada. Perto da esteira estão os carrinhos, todos trancados, nenhuma instrução. Nem preço, nem moeda de pagamento.

Consegui a informação com um passageiro habitué: também custa 1 Euro. Tive sorte e além da informação ganhei uma moeda. Mas porque Euro, Deus do céu? A moeda nacional é Lira Turca!

Coisa de turco?

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(*) Foi no Carrefour-Bairro da 402 sul, se interessar ao patrão.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

No Butão

O mundo gira, a lusitana roda e o tempo não pára. Na próxima segunda-feira embarco para mais uma viagem e aqui no blog só agora cheguei ao Butão. A defasagem está grande, com tendência a piorar.

Para adiantar o expediente, vou aproveitar e reciclar a narrativa que mandei para o Rede Furada, blog nota 10 baseado em Santo André - Bahia, a pedido da sua editora-chefe, Olímpia, minha amiga, ex-vizinha e colega de trabalho, ora de férias em Nova Iorque, a capital cultural do ocidente .



O Butão é um país curioso, que começou a receber turistas há pouco tempo. A primeira coisa que me chamou a atenção é haver um portal de entrada, quase um arco do triunfo, todo trabalhado em madeira, cuidadosamente pintado. Eu estava dentro do ônibus, não consegui uma boa foto. Existem apenas três pontos de fronteira terrestre, todos com a Índia. Este é o de Phuntsoling.


A cidade da foto acima é Thimphu, a capital. Fica em um vale, como todas as demais cidades que visitei. É só o que se vê: vales e picos altíssimos. Thimpu está a 2.300 m de altitude e tem uns 80 mil habitantes. É capital desde 1962, quando foi aberta a primeira rodovia do país, ligando o Butão à Índia.

Para se ter uma idéia de como o Butão era fechado (*), até meados do século 20 não existia uma moeda nacional, e o comércio era todo feito à base de trocas. O ngultrum só foi criado por volta de 1940/50.


O Butão é o último reino budista do mundo. A dinastia atual começou no início do século XX, e está na 5ª gestão. O 3º rei foi considerado o pai do Butão moderno. Aboliu o sistema de castas e o feudalismo rural, promovendo uma reforma agrária.

O 4º rei idealizou o conceito e a medida de Felicidade Interna Bruta - FIB, para direcionar as ações de governo. Foi uma grande sacada que mereceu reconhecimento internacional em círculos políticos e acadêmicos.

Uma das ações de governo orientadas pelo FIB foi a introdução da monarquia constitucionalista em 2008. Por iniciativa do próprio rei (o 4º), o Butão prepara-se para migrar de um regime totalitário para um regime democrático, sem traumas. A constituição butanesa instituiu uma assembléia nacional e criou a figura do primeiro-ministro como chefe de governo. Estabeleceu também a idade limite de 65 anos para o rei, que deve obrigatoriamente renunciar em favor de seu herdeiro. Se o herdeiro revelar-se um mau governante, poderá ser substituído por outro membro da família real, eleito pela assembléia.

O 4º rei renunciou em favor de seu filho aos 55 anos de idade. O rei atual (o 5º ) estudou em Oxford, tem 31 anos e ainda é solteiro. [Atenção, meninas! A poligamia é admitida, mas precisa ser consensual.]


Isso que você está vendo é mesmo o que você está pensando. As construções obedecem a um padrão tradicional, são cheias de bordadinhos, e trabalhos em madeira. O código de obras é rigoroso e não admite modernices exageradas. Pinturas nas casas e muros são freqüentes, com muitos falos pendurados nos telhados, balançando ao vento...



O animal é o Takim, só existe por lá. Na verdade, é o único animal do Jardim Zoológico de Thimpu. Em 1991, atendendo a uma reivindicação popular, o rei mandou abrir as portas das jaulas e libertar todos os bichos. Manter animais em cativeiro envergonhava os budistas butaneses. Só ficou o Takim, porque precisava de proteção contra seus muitos predadores.



Este é o traje nacional masculino, chamado Ghogo (pelo menos foi isso o que anotei). É uma espécie de roupão. As dobras das mangas são usadas como bolsos e quase todos os homens usam.



A foto acima é do Punaka Dzong, um edifício lindo, de 1673, onde funcionam um mosteiro budista e a administração regional. Fica na junção de dois rios, um rio macho, mais rápido (o da esquerda) e um rio fêmea, tranquilo (à direita). Todos precisam se trajar adequadamente para entrar no Punaka Dzong. Vale dizer, nada de turistas de chinelo, shorts, bermudas ou camisetas de alcinha. Os homens butaneses precisam usar uma espécie de echarpe branca, equivalente à nossa gravata.


O único aeroporto do país fica na cidade de Paro, que tem 44 mil habitantes. Foi construído em 1983 e apenas a Druk Airlines, a companhia nacional,  tem autorização para operar ali. A Druk possui atualmente uma frota de dois aviões (quase novos) e voa para Calcutá, Nova Delhi e Katmandu. A rota para Katmandu passa ao lado do monte Everest.



O Butão é o segundo país que conheço que apenas recentemente, e com um atraso considerável, iniciou um processo de abertura, modernização e inserção internacional. O primeiro foi Angola.

Apesar das diferenças históricas e culturais estratosféricas entre os dois países, para mim é muito difícil deixar de fazer comparações. O Butão não possui os recursos naturais que Angola tem. Sua economia é limitadíssima, baseia-se na venda de energia elétrica para a Índia. Sua população também é pequena, embora igualmente pobre.

O que faz diferença, até onde eu consigo ver, é 1/ a honestidade de propósitos e a intenção de fazer o que seja melhor para o benefício coletivo; 2/ o desejo e a humildade de aprender tudo o que for possível, de aproveitar os erros, acertos e experiências de outros países; e 3/ o espírito de solidariedade e de fraternidade que fazem o SER mais importante do que o TER.

Perguntei a uma garçonete de hotel se ela era feliz e qual seria a medida de sua felicidade, numa escala de 0 a 10. Para meu espanto, ela não se espantou com a pergunta. Deu-se nota 5. Perguntei então o que a faria mais feliz do que 5. Ela disse que morava no hotel, um pouco afastado da cidade, e lá passava a semana inteira. Gostaria de morar mais perto de casa, de poder estar com a família mais freqüentemente. Isso aumentaria sua felicidade.

E você? O que faria você mais feliz? Ganhar a mega-sena?

Eu adorei o Butão, acho que estão no caminho certo.

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(*) Sem trocadilhos, tá?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Contatos Imediatos de Terceiro Grau

Sinopse: um bando de gente (eu inclusive), vinda de todas as partes do mundo, pula da cama às três e meia da madrugada, no maior frio, para pegar um jipe, subir um morro e garantir um lugar de observação privilegiado. Alguma coisa está prestes a acontecer, mas ninguém sabe muito bem do que se trata. Na verdade, essa coisa pode ou não acontecer, daí a expectativa generalizada.

O morro se chama “Tiger Hill”, fica a 11 km ao sul de Darjeeling. O evento esperado é o nascer do sol e a possibilidade de avistar e receber as bênçãos auspiciosas do Kangchendzonga, a montanha mais alta da Índia e a terceira maior do mundo, com 8.598 metros.

Não foi ainda nesse dia que ela apareceu para mim. Fez jogo duro. Estávamos fora da estação. Tive que esperar pacientemente o dia do vôo entre Paro, no Butão e Katmandu, quando lavei a alma. Kanchendzonga e Everest, os dois, bem ali, em toda sua glória, ao alcance do clic da minha máquina.


Me senti no próprio set de filmagem de "Contatos Imediatos"

Todo mundo de arma (câmera) em punho. Só faltou o Spielberg.

Tinha até sala VIP.

Quando o sol apareceu houve festa, mas o dia estava nublado.

O programa ganhou duas machadinhas no Guia Michelíndio.

Em compensação, taí a Kangchendzonga, clicada do avião entre Paro e Katmandu, vôo cinco estrelas.

Com direio ao Everest também. Privilégio de quem se senta na janela do lado direito.