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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Robin Hood


O Birmanês é um idioma muito complexo, com mais de 20 vogais. O alfabeto é lindo, cheio de bolinhas. Impenetrável para os estrangeiros. A recíproca também deve ser verdadeira, porque o inglês falado por lá é praticamente irreconhecível. É preciso uma boa dose de telepatia.
Hora do jantar, um lindo bufê no jardim do hotel, vou me servir. O maitre puxa um papo:
- De onde você é?
- Do Brasil, conhece?
- Brasil? Ôoo! Ronaldo!
- É, Ronaldo.
- Ronaldino Gaxo!
- É, Ronaldinho Gaúcho.
- Kaká!
- É, Kaká.
- Robin Hood!
- Hein?
- Robin Hood!
- .................. (até cair a ficha.)
- Robinho?
- Yeh, Robin Hood!

Monges de Myanmar



Essa fila também anda.

Myanmar



Ano passado estive em Myanmar, no sudeste asiático. Antigamente chamava-se Birmânia, ou Burma. É um país bonito, tropical, rural. Povo alegre e muito, muito pobre. Apesar de o turismo ser uma fonte de renda importante, o nosso grupo era um dos poucos que estavam por lá em novembro, logo depois da revolta dos monges contra a junta militar que há anos governa o país.
E existem milhares de monges em Myanmar. Parece que todo menino tem de passar pela experiência do monastério, pelo menos uma vez na vida. Os monges não podem mentir, roubar, matar ou praticar sexo. Outras faltas até podem ser relevadas, mas estas não. Se apanhados, são expulsos. Dizem que é como um coqueiro cortado, não se pode recompor.
Todos os homens usam saia, chama-se "long-ti", ou coisa parecida. As mulheres pintam o rosto com uma pasta chamada "tanaká". Ninguém usa sapatos, apenas sandálias. Roupas ao estilo ocidental, apenas os empregados dos hotéis e restaurantes.
Certa vez, durante a visita a um pagode, um garoto me pediu para ver o dinheiro do meu país. Achei na bolsa uma nota de R$ 2,00, dei a ele e expliquei valer cerca de US$ 1,70, ou 2 mil Kyats, a moeda local (pronuncia-se "tcheks", mais ou menos). Na saída do pagode, um outro garoto me abordou pedindo para cambiar a mesmíssima nota de R$ 2,00 por Kyats ou dólares. Era muita grana, ele não podia se dar ao luxo de guardar.

Há duas semanas Myanmar foi devastado por um ciclone. Um milhão de pessoas desabrigadas, mais de 150 mil mortos e desaparecidos. Apenas hoje o governo abriu as portas para ajuda internacional, permitindo a entrada de equipes médicas e voluntários para distribuição de alimentos, água, roupas e remédios.
Os sorrisos dessas fotos podem não existir mais.