sábado, 15 de agosto de 2009

O tempo é o senhor da razão

Da série
Política brasileira para iniciados

De Collor sobre Sarney:
Ontem:
“Gostaria de tratar o senhor José Sarney com elegância e respeito, mas não posso, porque estou falando com um irresponsável, um omisso, um desastrado, um fraco. Sempre foi um político de segunda classe, nunca teve uma atitude de coragem. (na campanha de 1989)
Hoje:
“Sei que o presidente Lula e o presidente Sarney apoiaram o meu impeachment, mas mesmo assim não desejo que sofram o mesmo. Não desejo que sejam alcançados por injúrias, calúnias, mentiras”. (em discurso no Senado).

De Sarney sobre Collor
Ontem
“O Brasil é testemunha da brutalidade, da violência, do desatino com que fui agredido por um candidato profundamente transtornado”. (na campanha de 1989).
Hoje:
“Sou profundamente grato ao senador Collor. Ele tem sido bastante leal a mim”. (no Senado).

De Collor sobre Lula:
Ontem:
“O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. Lula é um cambalacheiro”. (na campanha de 1989).
Hoje:
“Nenhum ataque ao presidente Sarney e ao presidente Lula ficará sem resposta”. (na semana passada).

De Lula sobre Collor
Ontem:
“Pena que esse moço seja tão corrupto”. (em 1993).
Hoje:
“O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato”. (em 2007)

De Lula Sobre Sarney
Ontem:
“Nós sabemos que antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República”. (num discurso em Aracaju em 1987).
Hoje:
“O presidente Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum. Ele tem biografia”. (no mês passado).


Nota do Blog:

Os blogs e e-mails têm certa utilidade. Podem servir de antídoto contra a amnésia política, mas podem também ser bastante tendenciosos. Devem ser lidos com o desconfiômetro ligado, que Stephen Kanitz chamou de "vigilância epistêmica".

Por exemplo: o autor/pesquisador das frases compiladas (que recebi por e-mail) se "esqueceu" de incluir as preciosidades da era FHC, que também mordeu a língua, e muitas vezes.

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