sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Meio Circulante

Da série "A vida como ela é"
(Com agradecimentos a Sirimarco Consultores Associados)


Maio de 2009, numa cidade litorânea do RS, muito frio e mar agitado, a cidade parecia deserta... Os habitantes, endividados e vivendo às custas de crédito. Por sorte chega um gringo rico e entra num pequeno hotel.
O mesmo saca uma nota de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.

Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.

Este, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.

O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.

O veterinário, com a nota em mãos, vai até a zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito).

A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, às vezes, leva seus clientes (ultimamente sem pagar pelas acomodações), e paga a conta.

Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede a nota de volta, agradece, mas diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.
Ninguém ganhou nenhum vintém, porém agora toda a cidade vive sem dívidas e começa a ver o futuro com confiança!

MORAL DA HISTÓRIA: Quando o dinheiro circula, não há crise!

Angola e o Islã

Volta e meia alguma autoridade angolana vai a público manifestar preocupação com a expansão do islã em Angola. Ou do islão, como preferem dizer.
Em linhas gerais, temem que “costumes estranhos à cultura nacional, sem raízes históricas na tradição do país, possam acarretar consequências nefastas na organização e estrutura da sociedade angolana”.

Acho uma pena que esse “cuidado” com a preservação da tradição cultural não se manifeste também em relação a outras manifestações ditas religiosas.
Traduzindo em miúdos, refiro-me aos trocentos templos da IURD espalhados pelo país. Enquanto Edir Macedo avança, as religiões africanas tradicionais desaparecem. Quem quiser conhecer, participar ou fotografar , que vá à Bahia ou ao Rio de Janeiro.


Aos poucos, a presença muçulmana vai se fazendo notar.



Este é o pé que balança o berço

Beleza pura - 2

Ainda no tema dos penteados infantis, achei mais esta foto. Esse bebê não tem um ano e já está cheio de letrinhas e búzios pendurados nos cabelos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Beleza pura

Dizem que as mulheres são vaidosas por natureza e que não medem sacrifícios quando o assunto é beleza.
É duro admitir, mas é verdade. E que atire a primeira pedra quem nunca usou uma pinça nas sobrancelhas, fez depilação com cera quente ou dançou a noite inteira com sapatos apertados de salto alto.
Em regra, essa disposição sofredora começa na adolescência, atinge o apogeu por volta dos 25 anos e vagarosamente decresce com o passar dos anos. As crianças costumam ser poupadas.

Em Angola não.

No início pensei que os penteados das meninas angolanas, cheios de trancinhas e continhas coloridas, fizessem parte de alguma tradição cultural africana , tão disseminado é o seu uso.
Depois me explicaram que a moda é recente.
Os penteados são muito elaborados, dão trabalho prá fazer e duram entre 10 e 15 dias.
Já vi até bebês de colo usando as tais continhas.
As meninas todas adoram. As trancinhas têm que balançar e fazer barulho com o entrechocar dos pingentes. E quanto mais coloridos, melhor.








Recentemente percebi que as continhas de plástico duro começam a ser substituídas por prendedores maleáveis, feitos de E.V.A. ou material semelhante.
Ainda bem. Já pensou dormir com isso?

domingo, 23 de agosto de 2009

Fazendo m3rd@ com seu dinheiro

O vaso sanitário, também conhecido como privada, sanita ou retrete, até então usado por questões de conforto e higiene no atendimento de necessidades básicas do ser humano, pode virar símbolo de status, como já aconteceu com os automóveis, canetas e relógios.

As versões mais sofisticadas dispensam o uso do obsoleto papel higiênico, e dispõem de sistemas próprios de lavagem e higienização com regulagem de temperatura e pressão do jato d’agua. Para a secagem, o usuário pode escolher entre a pulsação, a oscilação ou jatos de ar quente, também com comando térmico.

O vaso é ativado por um interruptor de contato instalado no assento, com opção de estofamento em couro. A unidade de pulverização, ativada por um botão lateral, retrai-se quando o ciclo se completa, a evitar contaminações, enquanto um filtro de carvão ativado purifica o ambiente e remove odores.

Existem modelos de coluna ou de parede, com ou sem controle remoto.



Esse era o equipamento especificado para os WC da nova sede da Procuradoria Geral do Trabalho, em Brasília, ao preço de R$ 23 mil ou USD 12.780 a unidade.
Para maiores informações, clique no Correio Braziliense de hoje.

sábado, 22 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A profissão mais antiga do mundo

Fazer cerâmica é uma atividade meio mágica. Terra, água, ar e fogo. De repente, alguma coisa que não existia antes vira substantivo concreto. Um pote, um vaso, um tijolo, uma escultura, uma lajota, uma telha.

Alguns dizem ser a profissão mais antiga do mundo (*): a profissão de Deus.

Gosto muito de moldar a argila. Há um bom tempo venho brincando com isso, fazendo experiências, trocando figurinhas pelaí, “around the world”. Parei quando a agulha da minha bússola foi direcionada para Angola. Dei um tempo, agora pretendo retomar atividades.

Durante o período em que permaneci em Luanda vi muito pouca coisa de cerâmica. Uma cidade em obras, com uma enorme carência de materiais de construção (importados e caríssimos), não possui uma olaria sequer. Existem fábricas de telhas e de lajotas feitas de cimento. Mas nada de cerâmica. Bem que eu procurei. Se existe, ninguém soube me informar.
Fiquei surpresa. Argilas existem em todo lugar, e os povos mais primitivos do mundo conseguem desenvolver técnicas de modelagem e queima. Em Angola, fabricam-se telhas de cimento importado que são vendidas a três dólares cada.

Enfim...

Entre a centena de artesãos que expõem seus trabalhos na feirinha do Benfica, existe uma única banca na categoria de cerâmica. Na realidade nem chega a ser uma banca, já que as peças ficam expostas no chão, na lateral externa do “quadrado”. São painéis interessantes, bem desenvolvidos, muito coloridos, queimados em baixa temperatura e esmaltados com esmaltes comerciais. O artesão - Paulo - me disse que a oficina ficava lá pros lados do Petrangol, um bairro afastado do centro.

As fotos estão aqui, prá quem quiser conferir.


As duas máscaras a seguir estão na sala de embarque da TAAG no aeroporto 4 de Fevereiro. Devem ter vindo do mesmo ateliê (mesma técnica, mesma estética).


Perto do largo da Mutamba existe uma loja de artesanato chamada "Espelho da Moda". A seleção é bem feita, variada, as peças à venda muito bonitas e bem representativas do que de melhor se faz em Angola nesse gênero. Tudo a preços de Luanda (estratosféricos).

No Espelho da Moda pode-se encontrar algum artesanato de cerâmica angolana. Me disseram que são feitas no sul do país. No último Natal ganhei essa caneca de presente.


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(*) aquela outra profissão que você pensou pode ser a segunda, quem sabe?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

E a vida, o que é?

É bonita, é bonita e é bonita.

De repente você está mexendo nos arquivos de fotos do laptop e... pimba: as respostas estão todas lá.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quanto vale o Kwanza?


Da: RNA/Lusa - 18 Aug 2009

"O Banco Nacional de Angola (BNA) tem condições para manter o valor da moeda angolana, o kwanza, no actual nível, sem ter de recorrer à desvalorização da moeda, que deverá recuperar seu valor até ao final do ano, afirmou o vice-presidente do BC angolano, Ricardo Viegas de Abreu.
'Todos sabemos que houve uma queda acentuada das nossas receitas, uma redução das nossas reservas, mas ainda estamos em condições de estabilizar a moeda ao nível actual" , afirmou Abreu à Rádio Nacional de Angola.
"Estamos a tomar algumas medidas para estabilizar a situação e acreditamos que vamos ter um final de ano mais positivo", declarou.
A quebra dos preços do petróleo, cujas exportações são fonte de perto de 90% das receitas angolanas, causou uma descida de 30% nas reservas externas no último semestre, para US$ 12 bilhões.
Em resposta, o BNA restringiu os movimentos em dólares, fazendo disparar a demanda pela moeda norte-americana, usada como referência nos negócios. Em Abril, o BNA desvalorizou o kwanza em 4%, para 78 kwanzas por dólar, significativamente abaixo do valor da moeda norte-americana no mercado negro, que pode atingir os 92 kwanzas.
Actualmente, adiantou Abreu, "O BNA resistiu às tentativas especulativas e não há planos para desvalorizar a moeda nacional".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quem te viu e quem te vê

Da série "Enquanto o Alzheimer não vem"






Recebi essas charges por e-mail, não sei de quem são.
E já que o assunto de hoje são as memórias, incluo a foto de um momento inesquecível para mim:


Foi em agosto de 2005, quanto bateu no teto. Eu também tinha sonhado o sonho errado.

domingo, 16 de agosto de 2009

Ilhas de Luanda

Pescadores na Ilha do Cabo


Por-do-Sol na Ilha do Mussulo


sábado, 15 de agosto de 2009

O tempo é o senhor da razão

Da série
Política brasileira para iniciados

De Collor sobre Sarney:
Ontem:
“Gostaria de tratar o senhor José Sarney com elegância e respeito, mas não posso, porque estou falando com um irresponsável, um omisso, um desastrado, um fraco. Sempre foi um político de segunda classe, nunca teve uma atitude de coragem. (na campanha de 1989)
Hoje:
“Sei que o presidente Lula e o presidente Sarney apoiaram o meu impeachment, mas mesmo assim não desejo que sofram o mesmo. Não desejo que sejam alcançados por injúrias, calúnias, mentiras”. (em discurso no Senado).

De Sarney sobre Collor
Ontem
“O Brasil é testemunha da brutalidade, da violência, do desatino com que fui agredido por um candidato profundamente transtornado”. (na campanha de 1989).
Hoje:
“Sou profundamente grato ao senador Collor. Ele tem sido bastante leal a mim”. (no Senado).

De Collor sobre Lula:
Ontem:
“O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. Lula é um cambalacheiro”. (na campanha de 1989).
Hoje:
“Nenhum ataque ao presidente Sarney e ao presidente Lula ficará sem resposta”. (na semana passada).

De Lula sobre Collor
Ontem:
“Pena que esse moço seja tão corrupto”. (em 1993).
Hoje:
“O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato”. (em 2007)

De Lula Sobre Sarney
Ontem:
“Nós sabemos que antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República”. (num discurso em Aracaju em 1987).
Hoje:
“O presidente Sarney não pode ser tratado como uma pessoa comum. Ele tem biografia”. (no mês passado).


Nota do Blog:

Os blogs e e-mails têm certa utilidade. Podem servir de antídoto contra a amnésia política, mas podem também ser bastante tendenciosos. Devem ser lidos com o desconfiômetro ligado, que Stephen Kanitz chamou de "vigilância epistêmica".

Por exemplo: o autor/pesquisador das frases compiladas (que recebi por e-mail) se "esqueceu" de incluir as preciosidades da era FHC, que também mordeu a língua, e muitas vezes.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Férias

O Blog está de férias.
Muito merecidas férias.
Terminada essa etapa angolana, o cenário futuro está bastante nebuloso.
Algumas possibilidades estão colocadas, pode ser que alguma se concretize, ou mais de uma, ou nenhuma: China, Austrália, Espanha, Butão, Angola de novo...
No momento estou em Brasília matando saudades e reabastecendo a alma com os afagos dos amigos e da família.
Existem também saudades que precisam ser resolvidas no Rio de Janeiro. Quero ir até lá.
Por enquanto, aproveito os prazeres da agenda vazia e desligo o despertador.


domingo, 2 de agosto de 2009

Cadê o Gabriel?

Gabriel Buchman desapareceu no dia 17 de julho, quando fazia uma trilha de montanha no Malaui. Ainda não foi encontrado.
Onze homens do corpo de bombeiros do Rio de Janeiro estão viajando à África para ajudar nas buscas. São especialistas no resgate em montanhas, e se juntam às equipes canadenses e malauianas que estão a vasculhar as florestas da região.

Eu não o conheço, mas pelo que se conta parece ser uma pessoa muito especial.
Os amigos estão mobilizados. Construíram um blog (Ajude Gabriel Buchmann) , promovem manifestações, buscam espaço na midia para divulgar o caso e obter ajuda.

Soube da história outro dia, por e-mail. Diário da África também já contou, e não se pode deixar o assunto morrer. Pessoas já foram achadas depois de ficarem perdidas por lá durante mais de 20 dias.

Força e fé, gente.

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Sexta-feira, 7/8/2009

Na quarta-feira 5 de Agosto as equipes de busca localizaram o corpo de Gabriel em uma área que fica a cerca de mil metros abaixo do topo do pico Sapitwa. Junto ao corpo foi encontrada uma câmera fotográfica que continha fotografias do topo do pico, indicando que ele estava a fazer o caminho de volta quando morreu.

Segundo o resultado da necrópsia, Gabriel morreu de frio.