quarta-feira, 27 de maio de 2009

Imagens de todo dia

Avenida 4 de fevereiro (Marginal)

Ilha de Luanda

Prenda



sábado, 23 de maio de 2009

Narcisismo


sexta-feira, 22 de maio de 2009

O meu bilhão é maior que o seu

Da série Blog também é cultura

- Quantos zeros tem um bilhão?
- Depende.
- Como depende? Matemática não depende. Tem ou não tem, é ou não é.

É. Mas nesse caso, também não é. Para os brasileiros, um bilhão tem 9 zeros, é o número que segue o 999.999.999.
Para portugueses e angolanos, o número que segue o 999.999.999 é "mil milhões", e um bilião se escreve com 12 zeros. Equivale a um milhão de milhões.



Aprendi isso lá Nos Cus de Judas, e antes que alguém pense alguma besteira, esclareço tratar-se de um dos meus blogs favoritos, administrado por Roberto Ivens.

Até o milhão, todo mundo se entende. Daí prá frente começam as diferenças.
Praticam-se no mundo duas escalas para nomear números grandes. Numa delas o termo é multiplicado mil vezes pelo anterior (escala curta). Na outra, multiplica-se por um milhão.

Com exceção do Brasil, os demais países de língua portuguesa utilizam a escala longa, seguindo uma tendência européia. Brasil, Estados Unidos e outros países das américas adotam a escala curta.

É bom saber e ficarmos atentos. Mais um falso cognato para atrapalhar a conversa. Mais uma casca de banana.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Kissama 2 - O retorno


Ano passado estive no parque Nacional do Kissama. Guardei na memória um passeio gostoso, bonito, em boa companhia. Como safári fotográfico, no entanto, bem pouco produtivo.
De lá para cá fui colecionando depoimentos favoráveis de pessoas que estiveram no parque e viram o que eu não vi: muitos bichos.
Mais recentemente escutei umas histórias de girafas e elefantes que reacenderam a minha veia expedicionária e me deram muita vontade de tentar um novo safári.

Foram três horas chacoalhando no jipão do parque. Parecia que estávamos dentro de um liquidificador. Quando começou a chover, me lembrei do "homem que virou suco". Dessa vez tivemos sorte, vimos veados, gnus, zebras e avestruzes. Meio de longe, mas estavam lá.

Andar pela savana faz bem. Desopila, relaxa, desestressa. Quando dei por mim, estava sorrindo como há algum tempo não fazia.
Voltei cansada, mas de alma leve. A paisagem revigora.


Ainda não foi dessa vez que os elefantes e girafas deram as caras. Mas os imbondeiros continuam por lá, mais lindos do que nunca.

domingo, 17 de maio de 2009


Quem tem lido o Aerograma e o Diário da África por esses dias já se deu conta que um tremendo baixo astral chegou junto com o cacimbo.

Os dias nublados sufocam o bom humor, a paciência acaba, o trânsito piora, desligam a luz, o ar condicionado não funciona, a cozinheira some, o rádio do carro pifa, não se vê o horizonte. De repente, nem há horizonte.

Para exorcizar essas energias cinzentas de vez em quando é preciso recorrer à Taag. Foi o que fiz ontem. Saí para recarregar baterias em casa. Dessa vez as minhas pilhas acabaram muito depressa.

Volto daqui a alguns dias, mais energizada. Ainda tenho o que fazer.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O pau da cobra

Ninguém sabe ao certo se era venenosa ou não. Nem o tamanho exato. Mas que era “enorme” todo mundo concorda. Prá mais de dois metros, segundo alguns, prá mais de cinco, dizem outros.
Morava numa árvore na Alameda Manuel Van-Dunem, pertinho do largo do Zé Pirão. Bem em cima do ponto de taxi.
Já há tempos as pessoas davam notícia de que, naquela árvore, habitava uma cobra enorme. Mas ninguém se importava, ninguém acreditava que pudesse ser mesmo verdade.
Um dia a cobra cansou-se de estar em casa, resolveu dar um passeio. Hora do rush, o ponto de táxi cheio. Susto geral, correrias, só não houve atropelamentos por causa do engarrafamento de rotina.
A cobra nunca mais foi vista.
O ponto de táxi foi mudado para outro lugar.
A árvore, até hoje, é conhecida como o pau da cobra.



Não matei a cobra, mas mostro o pau.

domingo, 10 de maio de 2009

10.000


Ontem o blog registrou a marca de 10 mil visitantes, desde que o contador foi instalado.

Fiquei muito feliz.

Obrigada, gente.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pergunta do Dia

Recebida por e-mail:

Quem morre de gripe suína vira espírito de porco?

domingo, 3 de maio de 2009

Insatisfação angolana

“Mais ou menos”, é o que ordinariamente se ouve ao perguntar a um angolano como está, ou como tem passado.
- Mais ou menos...
No início eu me preocupava. Puxa! Se pergunto a alguém como vai e ouço um “mais ou menos” como resposta, imagino sempre alguma coisa grave, problemas de saúde, situações familiares, coisas da vida a necessitar de compreensão, apoio ou ajuda.
Já desencanei. Aqui, o “mais ou menos” equivale ao nosso “tudo bem”. Nada especial, rotina pura.

Para os brasileiros, dizer que está “tudo bem” é quase uma obrigação. Expressa um desejo, para além de preservar a intimidade quando nada está bem.

Daí, o “mais ou menos” angolano soar como a demonstração de uma insatisfação atávica, profunda, essencial.

- Mais ou menos? O que aconteceu? Posso ajudar?
- Não, tudo certo, tudo normal.
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Ontem no rádio ouvi uma história ilustrativa dessa insatisfação angolana.

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Dizem que Jesus resolveu voltar à terra, para fazer mais alguns milagres.
Escolheu como centro de atividades o hospital central de Luanda.
Ao chegar, deparou-se com um corredor cheio de pessoas buscando atendimento, e um médico plantonista muito cansado, depois de 24 horas de serviço contínuo.
Jesus vestiu-se então de médico, atravessou o corredor lotado e entrou no consultório como substituto do plantão.
- O próximo, gritou.
Entra no consultório um paraplégico numa cadeira de rodas.
Jesus olha bem em seus olhos, ergue a mão direita e diz:
- Meu filho, levanta-te e anda!
E o homem levantou-se e andou.
Andou e saiu caminhando do consultório, para atravessar o corredor lotado.
Um paciente na fila pergunta:
- Como é esse médico novo? Bom?
- E o homem responde:
- É como todos os outros. Sequer me examinou.
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(Brincadeirinha, viu, gente? E quem contou foi um angolano.)