sábado, 29 de novembro de 2008

Painéis do BNA

Os Lusíadas – Canto I
"As armas e os barões assinalados,
que da ocidental praia Lusitana,
por mares nunca de antes navegados,
passaram ainda além da Taprobana;
em perigos e guerras esforçados,
mais do que prometia a força humana,
e entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram
.”

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Quem passa pela rua pode ver os lindos painéis de azulejo que enfeitam o saguão de entrada do Banco Nacional de Angola. Fazem alusão a versos dos Lusíadas.

Painel 1 - Os portugueses saem para o mar, é a época das grandes navegações.


Painel 2 - Chegam à África

Painel 3 - Um negro é levado para exibição ao rei



Painel 4 – Importantes acordos


Painel 5 - A catequese

Painel 6 - Construindo novas cidades

Já tentei saber mais sobre eles, pelo menos quem os pintou e quando. Não consegui, o Google não sabe. Fiquei horas pesquisando ontem. Talvez alguém do BNA saiba. Já vi por lá um jogo de cartões postais com fotos desses painéis. Mas são peças de coleção.
Por enquanto ficamos só assim.

A origem dos Bundas

JORNAL DE ANGOLA
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008



"O rei Mbandu III, está a preparar uma obra sobre a origem e reino do povo Bunda, para divulgar alguns aspectos sócio-culturais daquela tribo. Num encontro com os jornalistas em Lumbala Nguimbo, sede do município dos Bundas, Mwenne Mbandu III, como é também conhecido na língua bunda, disse que pretende expor na obra temas relacionados com o surgimento da tribo, o seu reino e o relacionamento com outras culturas.
“A nossa história deve ser bem conhecida pelos jovens. O que queremos com a obra que vamos publicar é esclarecer as pessoas sobre alguns equívocos que têm surgido sobre a origem e enquadramento no contexto sócio-cultural dos Bundas no país e alguns pontos de África, como, Zâmbia, Congo e Namíbia”. Afirmou o rei, afirmando que a publicação da obra está para breve.
Mwene Bandu III afirmou que foi intenção dos portugueses em Angola extinguir alguns povos e seus respectivos reinos para prosseguirem com o processo de ocupação e dominação do território, facto que veio fragilizar o mosaico étno-linguístico angolano.
Lufuti Mbandu (Mwene Bandu III) tem 58 anos, é natural da comuna de Ninda, município dos Bundas, Moxico. É formado em Comércio, Artes e Jornalismo numa das escolas da República da Zâmbia, onde viveu de 1952 a 2007 como refugiado. Foi representante da comunidade angolana na Zâmbia e colaborou na área de imprensa da Embaixada de Angola naquele país. Mbandu III foi coroado a 16 de Agosto deste ano, substituindo o rei Mbandu II, capturado e morto pelas forças coloniais portuguesas em 1914. "
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A editoria do blog agradece à Sirimarcopress pela pesquisa e sugestão de pauta.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Brinquedinho novo

Essa coisinha é superpoderosa. Já guardei mais de 13 mil músicas. Até onde meus ouvidos conseguem perceber, um som de alta qualidade. Vou amanhecer cantando todos os dias.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Em Luanda

Ando por aí com a máquina fotográfica na bolsa o tempo todo. Uma Sony Cyber-shot, que ninguém se iluda. Estou na página 5 do book one, e o book one é o próprio manual de instruções, que ainda não acabei de ler. Uma dessas câmeras destinadas aos turistas pós-modernos.
Apesar do nível elementar, já fui repreendida por fotografar o que não deveria ter sido fotografado. Não posso contar essa história no blog, mas a minha auto-estima se rejubilou, me senti como o paparazzi que fotografou a Jacqueline Onassis pelada na ilha de Skorpius.
Na falta de assunto, de inspiração ou de tempo, me arrisco a exibir o resultado desses cliques desautorizados. Apenas flagrantes da vida real. Nada emocionante. Só para mostrar cenários do meu cotidiano.




domingo, 23 de novembro de 2008

É mentira, Terta?


Eu estava entretida no trabalho quando o telefone tocou.
- M.Jo, rápido! Abre a janela, você não pode perder essa foto pro seu blog.
- Hummm? Que foto?
- Ali, no calçadão. Está vendo?
- O que?
- Aquele cara, sentado em cima do banco.
- Sei. O que é que tem?
- Sabe o que ele está fazendo?
- Não. Apreciando a vista?
- Eu vi quando ele chegou. Olhou para um lado e para o outro, como quem não quer nada, desabotoou as calças, abaixou, subiu no banco e agora está lá, fazendo cocô no meio da rua, na frente de todo mundo.
- Não é possível!
- Verdade!

E era verdade mesmo.

Nota explicativa aos não brasileiros: O título deste post faz referência a um personagem chamado Pantaleão, criado nos anos 80 pelo humorista Chico Anísio para a TV brasileira. Pantaleão contava histórias incríveis, absurdas, prontamente confirmadas por sua fiel companheira, a Terta.

Nota 2: A foto foi tirada com o celular de um colega. Este não é um blog escatológico, mas situações semelhantes já foram explicitamente documentadas aqui.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Mulher morre ao ser atingida pelo caixão do marido

10/11 - 11:46 - Agência Estado
"PORTO ALEGRE - Uma mulher de 67 anos morreu após ser atingida pelo caixão onde estava seu marido, na madrugada desta segunda-feira, em Tapes, no Rio Grande do Sul.
Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, Marciana da Silva Barcelos estava no banco ao lado do motorista no veículo da funerária, que transportava a urna de Tapes, onde o casal morava, seguindo para Alvorada, onde o marido seria enterrado.
Um veículo de passeio colidiu na traseira do carro da funerária, na Rodovia RS-717, na região de Tapes, deslocando o caixão para frente, que acabou atingindo a vítima. Ainda não há informação se a morte ocorreu no local ou se ela chegou a ser levada a um hospital. "

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sobre o tráfico

Os textos a seguir foram extraídos da brochura “Textos sobre o Comércio Triangular”, editada em Luanda, Angola, pelo Ministério da Cultura, no ano de 2006, por ocasião do aniversário do dia internacional do Tráfico Negreiro e da sua Abolição, celebrado em 23 de agosto
.

Exemplos de Troca
“Uma jovem mulher contra: um rolo de folhas de tabaco, 2 peças de pano, 24 lenços de algodão, um fuzil, uma jarra, 4 potes e 3 medidas de tecido.
Um homem e uma bonita rapariga contra: um rolo de folhas de tabaco, um colar de coral, um mosquete, três cutelos, três chapéus altos, 24 lenços de algodão, 5 peças de tecido, três potes de rum, 12 potes de litro, um chapéu galonado de algodão.”
B. Bavidson - “A mãe África”


Os barcos negreiros: condições de transporte
“O porão de um barco negreiro dispunha de um pé direito de cinco pés. Como os capitães estavam interessados exclusivamente no máximo de escravos vivos a desembarcar no destino, achavam essa altura desmesurada.
Para maior aproveitamento do espaço construíam uma prateleira a meia altura, de cada lado, com largura de 6 pés.
Quando o chão estava repleto enchiam-se as prateleiras. Se o pé direito passava os 6 pés, em vez de uma, construíam-se duas ordens de prateleiras ficando os escravos, muitas vezes, com apenas 20 polegadas para levantar a cabeça.
Assim durante toda a travessia ficavam impedidos de sentar-se sequer. Como iam algemados, perna direita de um à perna esquerda de outro e mãos, por igual, e o espaço inteiramente ocupado (cada um dispunha de 160 cm por 40 cm) não podia um fazer o mais pequeno movimento sem incomodar o vizinho. Acontecia muitas vezes, ao acordar, encontrar um homem o seu companheiro de algemas, morto. Quem encontrasse tinha de descalçar-se porque a solução era caminhar sobre os corpos, à falta de lugar vago para por os pés.”
José Capela - “A Escravatura”



O Suicídio: uma forma de protesto
“Quando estes animais põem o desgosto na cabeça, sentam-se de cócoras, põem o queixo entre os joelhos, as mãos nas orelhas e morrem neste estado, sem querer beber nem comer, ou se os obrigam à força a tomar qualquer coisa não fazem senão gemer durante algum tempo e depois morrer...
Supõe-se que decidem colocar a extremidade da língua na traquéia até sufocarem.”
Anónimo holandês = “Viagens às Costas da Guiné e a América”, 1702

Museu da Escravatura

Está localizado no quilômetro 23 da estrada que liga Luanda à barra do Kwanza, pouco depois da feira de artesanato do Benfica.
A paisagem circundante é belíssima. As instalações são simples. O acervo, modesto e tocante .


Está instalado numa edificação do século XVIII, residência de Dom Álvaro de Carvalho Matoso, um dos mais ativos comerciantes de escravos da costa africana na época.

Dom Álvaro, Cavaleiro da Ordem de Cristo, cristão fervoroso, mandava batizar os escravos antes de os fazer embarcar nos navios negreiros. Para não correrem o risco de morrer pagãos.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ilha de Luanda

Aqui acontecem umas coisas que, contando, ninguém acredita. Tem que fotografar. E hoje fiz umas fotos da Ilha de Luanda.
Não é exatamente uma ilha, mas já foi. Agora está ligada ao continente por um aterro, e é onde se concentram metade dos bares, restaurantes e boates da cidade. É o point do lazer, dia e noite. Uma tripinha, comprida e fina, circundando a baía de Luanda. Tem uns 10 kilômetros de extensão (estou chutando), uma pista prá ir, outra prá voltar.



Com esse perfil, e como em Luanda não tem lei seca, a ilha era um dos lugares onde mais ocorriam acidentes de trânsito. As pessoas saiam pro desbunde, tomavam umas e outras e na volta... pum! Enfiavam o carro no poste.
Até que as autoridades locais resolveram tomar uma providência e puseram uns blocos de concreto enoooormes separando as pistas de ida e volta.


Com um detalhe maquiavélico: protegendo os postes na volta da balada.
O sujeito pode beber o quanto quiser, com toda tranqüilidade. Não vai ter polícia, nem bafômetro, nem redutor de velocidade. E ninguém mais precisa se preocupar com a integridade dos postes. Problema resolvido.


domingo, 9 de novembro de 2008

Coleção



Tem gente que coleciona selos, chaveiros, caixas de fósforo, sapatos... a lista não tem limite. Qualquer coisa vale.
Eu tenho colecionado candongas. Melhor dizendo, candongas virtuais. Fotos. Aproveitei o domingo para organizar a coleção e selecionei algumas para um álbum armazenado no Picasaweb. O link também está à direita da página, CANDONGAS DE LUANDA.



Zungueira


Elias Dia Kimuezo

Elias Dia Kimuezo representa para os angolanos o mesmo que Roberto Carlos para os brasileiros. É um verdadeiro ícone da música popular. Kota respeitado, também é chamado de "rei".

Cantou na festa de ontem. Foi muito fixe.

Tem um video no youtube. Quem quiser ver, é só clicar aqui.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Just a normal guy?

O mundo inteiro está emocionado com a vitória de Barack Obama. O primeiro homem negro a governar os Estados Unidos, país tão poderoso quanto racista.
“We did it”. Obama desperta a esperança de novos tempos, de mudanças sociais profundas, de lucidez nas relações internacionais, tolerância nas relações pessoais e ar mais limpo no planeta.
Esperanças tão fortes quanto aquelas que em 2002 elegeram Lula presidente do Brasil.
Eu fui à festa da posse. Uma linda festa, no dia primeiro de janeiro de 2003, na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Votei em Lula em 1989, 1994, 1998 e 2002. A festa era minha e de tantos outros que professaram a fé na justiça social, ética na política e lisura dos gastos públicos.
Em 2006 não votei mais. Tinha sonhado o sonho errado.
Hoje vejo o mundo depositar nas mãos de Obama a responsabilidade pela construção do futuro. Percebo a força da energia mobilizada mas não me contagio.Estou de fora, espio por baixo da lona. Pode ser por cinismo, covardia ou ressentimento. “Não caio mais nessa”, digo para mim mesma. Messianismo não.

Mas caramba, como queria estar errada!

Para compensar

Ontem, ao por-do-sol.
O primeiro céu azul que vejo em Luanda, em hora completamente improvável.

Kinaxixi, sete da noite


Conheço duas rotas possíveis para quem trabalha no centro e mora no Cruzeiro voltar para casa.
A primeira opção inclui a ladeira que vai da rotunda perto da Angoship até a pracinha em frente ao cemitério do Alto das Cruzes. A mesma ladeira onde o Diário da África teve de mostrar sua valentia semana passada.
A outra opção é dar a volta pelo Kinaxixi, sugestão que fiz como uma espécie de plano B.
Pois bem. Fica o dito pelo não dito. Na terça-feira, dois colegas brazucas passavam por lá na volta do trabalho, quando o carro em que viajavam foi abordado por dois homens armados. Estavam parados num sinal, os assaltantes chegaram de moto, ameaçaram e um dos colegas achou melhor abrir o vidro. Levaram tudo: dinheiro, celular, laptop.
Todas as pessoas para quem perguntei me disseram que fariam a mesma coisa. Eu não sei se minha reação seria igualmente resignada e espero nunca descobrir.
Mas não tenho um plano C.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

365 vinte e quatro horas

Quando comecei a escrever este Blog relacionei os assuntos que estavam em pauta na minha vida e, provavelmente, apareceriam com mais freqüência.
Entre eles, a experiência anti-tabagista.
Cinco meses e meio depois, ainda não falei disso por aqui. Mas falo agora: Hoje faz um ano que estou sem fumar.
Tenho participado de um grupo virtual de fumantes anônimos . O grupo é formado por pessoas que estão tentando parar de fumar, estão parando, estão parados ou estão pensando no assunto. Todo mundo no mesmo barco, ou na mesma trilha. Por isso não escrevo sobre isso neste blog. O que tinha para escrever, escrevo lá. E tem funcionado muito bem.
Mas hoje é dia de fazer festa. Estou muito feliz por essa conquista.


O Google imagens registra 23.200 ocorrências para ‘fumantes’ , e apenas 1.610 ocorrências para ‘não fumantes’. Sete por cento. Deve significar alguma coisa.

De volta

O avião deveria ter saído do Rio de Janeiro às 19 horas de Domingo. Saiu às 2 e meia da madrugada de Segunda-feira.
Aterrou no aeroporto de Luanda às 12 e 10, horário local, logo depois de um Boeing proveniente de Johanesburgo.
Empurra-empurra em frente ao balcão do carimbo. Fila prá imigração. Plantão ao lado das esteiras, nada da mala chegar. Uma hora... duas horas... Siricutico prá arrumar um carrinho. Sala lotada, calor, muvuca, cotoveladas, ninguém se entende. Muitos chineses. A mala chega, viva! Agora, alfândega.
Consegui sair do aeroporto às três e quinze da tarde e vinte minutos depois estava em casa. Nada como um feriado para desenganchar o trânsito.
Elevador quebrado. Dois andares de escada.
É. Cheguei.

Lar, doce lar. De pilha nova, nem me incomodei. Tinha Cuca gelada em casa.

sábado, 1 de novembro de 2008

Besteirol


Eu não pretendia falar mais no assunto "eleições municipais brasileiras", mas...
Recebi hoje por e-mail essas pérolas da propaganda eleitoral. E são de verdade!!!
Seria cômico, se não fosse sério.