quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Perdemos (de novo)


Prá encerrar o assunto.
Quinta-feira passada registrei aqui no blog meu apoio à candidatura de Fernando Gabeira para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro.
Não rolou. Gabeira perdeu por 55.216 votos. O estádio do Maracanã recebe mais gente do que isso numa quarta-feira à noite, em jogo de meio de campeonato.
Ganhou Eduardo Paes, ex-PV, ex-PFL, ex-PTB, ex-PFL de novo, ex-PSDB, atual PMDB. Com ele ganharam Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, o bispo Crivella [da Igreja Universal do reino de Deus], o Governador Sérgio Cabral e as mesmas forças políticas que há décadas maltratam a Cidade (ainda) Maravilhosa e sua população.
Mas a esperança é a última que morre. Quem sabe tenhamos a oportunidade de presenciar novas metamorfoses?

Dia desses um leitor do blog comentou que enxergava o Rio de Janeiro como um enorme paraíso salpicado de algumas favelas. Que os anjos digam amém.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Antológica!


Sensacional.

Achei no Pensar e Falar Angola, um dos meus favoritos, que por sua vez foi buscar no Aerograma , Blog nota 10. Não resisti.

sábado, 25 de outubro de 2008

A Rainha Ginga

Da série "Blog também é cultura"

Ginga, a Rainha Quilombola

Nzinga Mbandi Ngola, rainha de Matamba e Angola nos séculos XVI-XVII é cultuada pelos modernos movimentos nacionalistas de Angola como a heroína das primeiras resistências. Tem despertado crescente interesse dos historiadores e antropólogos para a compreensão do momento histórico que caracterizou sua destreza na resistência à ocupação portuguesa do território angolano e ao tráfico de escravos.
A resistência de Nzinga à ocupação colonial e ao tráfico de escravos no seu reino por cerca de quarenta anos, usando de várias táticas e estratégias que vão desde a conversão ao cristianismo até práticas de guerra, é fonte para a criação de um imaginário que se impôs como símbolo de luta contra a opressão.
Contemporânea de Zumbi dos Palmares, ambos parecem compartilhar de um tempo e de um espaço comum de resistência: o quilombo.
Veja mais em Sanzalangola.com



Ela não era mole.
Mandou decapitar um tio e envenenou o irmão. Dizem que gostava de sentar-se sobre as costas de suas escravas.
Foi batizada como Dona Ana de Souza, para consolidar um acordo de paz com os Portugueses. Não deu certo.
Aliou-se aos holandeses que, com seu auxílio, conseguiram ocupar Luanda entre 1641 e 1648, quando foram expulsos por Salvador Correia de Sá e Benevides.
Liderava pessoalmente as suas tropas e não queria ser tratada por "Rainha". Preferia que se dirigissem a ela como "Rei".
Morreu em 1680, com idade muito avançada. Após a sua morte, 7000 mil soldados seus foram levados para o Brasil e vendidos como escravos.




Obrigada, Google.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Salvador Correia de Sá e Benevides

O restaurador de Angola: em 1648 D. João IV o encarregou de arrancar Angola ao poder dos holandeses. Descendia da gloriosa família de Mem de Sá e de Estácio de Sá, os fundadores da cidade do Rio de Janeiro.

A importância de Angola era extrema, porque era dali que se fornecia o Brasil de escravos pretos indispensáveis para a cultura das suas terras. A empresa de a reconquistar era tanto mais difícil, quanto pela situação extravagante em que nos achávamos com os holandeses, nossos aliados na Europa, era indispensável que Salvador Correia encontrasse meio de tomar Angola, sem que parecesse que fora ele que tomara a ofensiva, para se não considerarem rotas as pazes com a Holanda. Salvador Correia chegou ao Rio de Janeiro, e apelando para o patriotismo e até para os interesses próprios dos homens abastados, interesse que a perda desse reino prejudicava altamente, despendendo também com liberalidade os seus próprios dinheiros, conseguiu juntar 15 navios, 4 dos quais foram comprados à sua custa, e levando neles 900 homens de desembarque, partiu no dia 12 de Maio para Angola. Nunca empresa tão importante fora intentada com tão pequenas forças. O fim aparente da expedição era edificar um forte na enseada de Quicombo, afim de estabelecer comunicações com os portugueses, que desde a perda de Angola se tinham refugiado em Massangano. Chegou a Quicombo, mas, tomando pretexto de hostilidades que os holandeses faziam aos restos da antiga guarnição portuguesa declarou que era isto uma quebra flagrante da paz, que o autorizava a pedir-lhes uma satisfação. Dirigiu-se para Luanda, tendo já perdido um navio por causa dum rombo no porão, e apenas chegou à capital da província, participou aos holandeses os motivos da sua vinda, as suas razões de queixa, declarando-lhes que, logo que eles não respeitavam a paz estabelecida, também ele se não julgava obrigado a deixar de a infringir, e portanto que exigia que eles se entregassem. Surpreendidos os holandeses com esta audácia, avaliaram em maior do que era o poder dos assaltantes, e pediram 8 dias para tomarem uma decisão. O fim evidente era reunirem as tropas que andavam pelo campo, e Salvador Correia, percebendo-o, apenas lhes concedeu dois dias. No fim do prazo marcado. desembarcou em chalupas 650 soldados e 250 marinheiros, deixando 180 nos navios com muitas figuras pelas enxárcias e pelas amuradas, para que de longe se julgasse muito mais numerosa a tripulação dos navios. Os holandeses, repelidos de todos os pontos exteriores, refugiaram-se na fortaleza do Morro de S. Miguel e no forte de Nossa Senhora da Guia, tendo abandonado tanto à pressa o fortim de Santo António, que nem tiveram tempo de encravar mais do que duas peças das oito que o fortim possuía. Aproveitou-as Salvador Correia, e juntando-as, a quatro meios canhões que mandou desembarcar, formou uma bateria que principiou a bombardear a fortaleza, causando pouco dano, mas produzindo grande terror aos holandeses, assombrados da rapidez com que a bateria se assentara. Viu, porém, Salvador Correia que seria demorado o êxito da bateria, a apertado pela necessidade de impedir que os holandeses fossem reforçados, mandou no dia seguinte, 15 de Agosto de 1648, dar assalto às duas fortalezas ocupadas pelo inimigo. A temeridade era incrível e seria indesculpável, se não fosse a situação perigosa em que Salvador Correia se via. Tinha apenas 900 homens e ia assaltar duas fortalezas, onde a artilharia quase nem tinha aberto brecha e guarnecidas por 1.200 soldados europeus e outros tantos negros. Por isso o assalto deu resultados terríveis. Depois duma escalada audaciosa em que os assaltantes foram repelidos, Salvador Correia mandou recolher as forças, e viu que perdera 163 soldados mortos e 160 feridos. Tinha por conseguinte fora do combate mais da terça parte do seu exército. Salvador Correia, sombrio mas resoluto, ia fazer uma segunda tentativa, quando com grande surpresa, viu aparecer um parlamentário, que vinha propor uma capitulação, o que Salvador Correia resolveu aceitar, receando o resultado de um novo assalto, em vista das perdas enormes que já sofrera. A capitulação foi concedida com todas as honras, facilitando-lhes logo a amnistia que eles pediram para os seus partidários, e assinada a capitulação viu-se o caso estranho de saírem rendidos de duas fortalezas, onde nem quase havia brecha, 1.100 homens e passarem, diante de menos de 600, que a essa força estava reduzida, depois do primeiro assalto, o exército sitiador. Havia já 5 dias que Salvador Correia tomara posse das fortalezas, quando apareceu na cidade, vindo do sertão um corpo de 250 homens acompanhados por mais de 2.000 negros, súbditos da rainha Ginga. Bem desejariam eles romper a capitulação, mas Salvador Correia tomara as suas precauções, fazendo logo embarcar em três navios a guarnição holandesa da cidade; de sorte que os recém chegados, vendo-se sós, capitularam também. Os negros da rainha Ginga é que não quiseram sujeitar-se, e arrojaram os maiores impropérios aos holandeses, por eles os desampararem. A guarnição de Benguela rendeu se a dois navios portugueses sem disparar um tiro, e a da ilha do S. Tomé, apenas soube que Luanda se rendera, partiu desamparando a ilha, deixando a artilharia e munições, de forma que os navios que Salvador Correia enviara para procurarem apoderar-se dessa nossa antiga e importante colónia, encontraram já a bandeira portuguesa arvorada nos fortes. Assim desampararam os holandeses também as suas feitorias de Benguela-a-Velha, de Leango e da Pinda, de forma que em dois meses tinham voltado ao domínio português. Angola e S. Tomé. A vitória quase miraculosa de Salvador Correia deixou de si lembrança tão viva na memória dos povos, que ainda em 1812 se celebrava em Luanda uma festa em acção de graças no dia 15 de Agosto pela vitória alcançada nesse dia por Salvador Correia. Expulsos os holandeses, tinha ainda de subjugar e punir os negros que haviam seguido o seu partido. Os principais eram os súbditos da rainha Ginga, e Salvador Correia, dispondo de poucas forças, alistou ao seu exército muitos franceses, que faziam parte da guarnição holandesa e que tinham ficado em Angola. O comando foi confiado a Bartolomeu de Vasconcelos, que facilmente subjugou os negros dissidentes, vendo-se a rainha Ginga forçada a pedir a paz, por se convencer que nada podia contra os portugueses. No entretanto Salvador Correia dava grande impulso às suas medidas administrativas, favorecendo o desenvolvimento de Luanda, onde se demorou até 1651, ano em que tornou a partir para o Rio de Janeiro, deixando por seu sucessor Rodrigo de Miranda Henriques.
Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/sasalvadorc2.html

Ele não tinha Blog mas jogava bem. Até que um dia alguém pagou prá ver.

O conto da sereia

Achei um recorte do Jornal de Angola do dia 18 de outubro. Copio abaixo, para quem quiser saber sobre o custo de vida em Luanda, condições de moradia, concentração de renda, disparidade social e coisas assim.

"Conto de Kianda" nasce entre Mussulo e Barra do Kwanza
João Dias

Entre Barra do Kwanza e o Mussulo, bem a 27 quilômetros de Luanda, está a nascer um condomínio para a classe alta, cuja construção inicia em Setembro do próximo ano com termo previsto para 2011.
Trata-se do primeiro grande projecto fora de Portugal, após ter sido criada a imobiliária com nome de Planigest em Julho último, uma empresa de participação mista (Portugal - Angola), segundo o sócio gerente da imobiliária, Paulo Nunes.
Participante na sexta edição da "Constrói Angola", a empresa parte assim pela primeira vez em Angola (já materializado em Portugal) para um projecto desta dimensão.
Os custos das residências, que ocupam áreas úteuis de construção que vão desde os 500 metros quadrados aos três mil metros quadrados, não são desde já baratos, sublinha o gestor.
Numa altura em que seis das 50 casas que compõem o "Conto de Kianda" já foram compradas, Paulo Nunes afirma que os preços já estão definidos.
Assim, embora Paulo Nunes não tivesse avançado o preço máximo das residências, avançou, porém, o preço mínimo que ronda os quatro milhões de dólares.
"O preço de produtos de luxo não é barato. E isto é assim em todo o mundo e aqui não foge à regra", referiu.
O projeto traz o rasto da inovação habitacional, segundo o gestor, onde o espírito ecológico e de respeito ao ambiente cruza-se com a arte e o novo conceito de "residir". Espaços completamente verdes, piscinas espaçosas e espelhos de água, designer bastante modernos, um cruzamento harmonioso entre luz natural, cor e luminosidade artificial, é o toque arquitetônico da marca que a imobiliária promete para seus clientes.
O estilo das casas traduz a arte dos produtos de prestígio ao nível do que melhor se fazem na Europa. Em Angola, o condomínio comportará espaços para a prática de actividades desportivas e de lazer, como golfe, actividades náuticas, pesca desportiva, entre outras.

Um parênteses para um pouco de cultura inútil:
Sobre a palavra "Kianda", o blog http://amateriadotempo.blogspot.com/2006/03/kianda.html diz o seguinte:

As gentes do povo, em Angola, acreditam convictamente na existência de sereias, que dizem ser dotadas de poderes sobrenaturais. Em quimbundo, as sereias são chamadas ianda, no singular kianda. Cada meio aquático tem uma sereia, isto é, cada rio, cada lagoa, quase cada charco tem a sua kianda, que toma o nome do rio, lagoa ou cacimba. De certa forma, ela é a encarnação do próprio meio aquático.As histórias de sereias que ouvi mais frequentemente relatavam o aparecimento de uma sereia a um homem pobre, a quem ela revelava a existência de um tesouro. Subitamente enriquecido, o homem passava a comportar-se de modo egoísta, gastando toda a riqueza em seu proveito pessoal e não em benefício da comunidade. Como castigo, a sereia acabava por fazer desaparecer o tesouro, ficando o homem na mais completa miséria. Por vezes, o castigo era mais duro e o homem ficava para sempre encantado no fundo do rio ou da lagoa.

Outros "conceitos de residir" muito familiares a quem mora em Luanda:







quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Segundo Turno

Faltam três dias para o segundo turno das eleições no Brasil.
Este Blog apoia a candidatura de
Fernando Gabeira
para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

É primavera!




A cidade está linda. As cigarras cantam da manhã à noite, celebrando a vida. Algumas pessoas não gostam, fecham a janela para deixar o barulho mais longe.
Os flamboyants estão escandalosamente floridos.
São quase cinco horas da tarde, daqui a pouco vai chover.
Peguei a câmera e desci para registrar o cenário. Todas essas fotos foram tiradas a menos de 10 metros da porta do elevador do prédio onde moro. Os flamboyants estavam mais longe, a uns 20 metros.
E de vez em quando a gente até esquece que isso existe. Como pode?







segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dando um tempo

Quando me convidaram para trabalhar em Angola, achei bastante curioso esse negócio de viagens prá casa a cada 2 ou 3 meses. Hoje entendo perfeitamente, é um tempo destinado à reciclagem, indispensável para a saúde. Vou aproveitar o meu para:

1 - Recompor a cesta básica de afetos. Quero muitos abraços. Como alguém pode ser feliz sem receber pelo menos um abraço por dia? É como ficar sem respirar, só dá prá aguentar pouco tempo. Quero muitos carinhos.

2 - Respirar ar puro! Quero dizer ar sem poeira. Ou pelo menos ar com pouca poeira. E sem nenhum aparelho de ar condicionado por perto!!! Minha tosse crônica se alivia, a diferença é notável.

3 - Admirar um céu azul, com sol brilhando.

4 - Passear. Andar até a banca para comprar um jornal. Tomar um sorvete na padaria. Pegar um táxi. Abrir o vidro do carro. Ir ao cinema assistir a um bom filme. Com direito a pipoca e guaraná.

5 - Ir ao cabeleireiro. Cortar o cabelo, pintar, hidratar, fazer as unhas. Mão e pé.

6 - Ir ao ortodontista. Tratamento em curso.

7 - Ir ao médico. Andei visitando hospitais angolanos, péssima experiência. Guardarei para o resto da vida a Sagrada Esperança de nunca mais precisar voltar por lá. Agora tenho que tentar reparar os estragos causados.

8 - Fazer umas comprinhas, claro. Utilidades, presentinhos, cosméticos, higiene pessoal. Talvez uma roupinha nova. Livros, com certeza.

9 - Procurar uma costureira. Emagreci bastante, as calças compridas precisam de ajuste.

10 - Relaxar, poder me desarmar, sentir-me novamente em casa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Não existe almoço grátis



Milton Friedman nunca foi a um churrasco no Alvalade, e certamente jamais imaginou que seu mais famoso aforismo pudesse provocar adesões tão alheias à esfera econômica.
Pois... que se rebole no túmulo.
Depois de um almoço impecável, aos cuidados do Chef Luis Carlos, os convidados foram - digamos - contemplados com o som inesquecível do internacional Descompassados do Ritmo.

Não queira conferir. Juro que é roubada.

Se quiser insistir e clicar, é por sua inteira conta e risco. Desaconselhável para pessoas com baixo teor alcoólico.


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Globalização

Bobagem do dia, recebida por e-mail:

Pergunta: Qual a melhor definição de Globalização?
Resposta: A Morte da Princesa Diana.
Pergunta: Por quê?
Resposta: Uma princesa inglesa, com um namorado egípcio, tem um acidente de carro dentro de um túnel francês. Carro alemão, com motor holandês, conduzido por um belga, bêbado de whisky escocês, perseguido por paparazzis italianos em motos japonesas. A princesa foi tratada por um médico americano, que usou medicamentos brasileiros.

E esta mensagem é enviada a você por um brasileiro, usando tecnologia americana (Bill Gates). É possível que você a esteja lendo em um computador genérico, montado com chips feitos em Taiwan, em um monitor coreano fabricado por trabalhadores de Bangladesh, numa fábrica de Cingapura, transportado em caminhões conduzidos por indianos, roubados por indonésios, descarregados por pescadores sicilianos, reempacotados por mexicanos e, finalmente, vendido a você por árabes ou judeus através de uma conexão paraguaia.
Isto é, caros amigos, GLOBALIZAÇÃO!!!


Ninguém merece

Passo por lá todo dia. Uma construção enorme, cheia de gruas e de chineses. O portão de serviço tem letreiros em três idiomas, com ilustrações para evitar mal entendidos. Qualquer dia tiro uma foto para mostrar. Rola por lá bwé de kumbú. (muita grana mesmo)
Nesta semana puseram a placa: Hotel & Cassino. CASSINO!!!
Tudo o que Angola não precisa. Nem merece.

Just in time

Um amigo nosso usa um carro desses, um Nissan X-Trail, 4X4. Muito bom, fomos nele ao parque da Kissama 1 e 2.
O carro estava com problemas na embreagem e foi para o conserto. Deve ficar pronto em Janeiro de 2009, se Deus der bom tempo.
Por essas e outras é que existem tantos carros abandonados no meio da rua.