quinta-feira, 29 de maio de 2008

Contagem regressiva



Agora há pouco tocou o telefone.
Parece que a contagem regressiva começou. O dia D é 26 de junho. Por enquanto...

A melhor do mundo


Um dia a gente acorda, abre o jornal e fica sabendo que a melhor atriz do ano, escolhida entre todas as celebridades mundiais que freqüentam as telas e os tapetes vermelhos de Cannes, é brasileira e se chama Sandra Corveloni. Foi premiada por sua atuação em "Linha de Passe", filme de Walter Salles, ainda não lançado no Brasil. No transcorrer da semana, ficamos também sabendo que Sandra é uma experiente atriz de teatro e este é seu primeiro longa metragem. Poucos dados pessoais: paulista, 43 anos, um filho, um luto recente. E ela estava bem ali, sempre esteve, quietinha, e ninguém sabia. Só o Walter Salles. De repente, bum! Melhor do mundo. Apareceu para mim e para o Brasil inteiro aplaudirmos de pé.
Quantas Sandras existem por aqui? Quantas pessoas fazendo o seu trabalho de extrema qualidade, sem alarde, sem purpurina, sem nariz empinado?
Parabéns, Sandra. Parabéns a todas as Sandras.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Elogio

Reencontro um amigo que não vejo há meses.
Um abraço, dois beijinhos, me olha de alto a baixo:
- Nossa! Você está ótima! Está parecendo um... pecado mortal!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Jornal de Hoje

Foto da capa do Correio Braziliense de hoje. Foi tirada em:
a - ( ) Johannesburgo
b - ( ) Iraque
c - ( ) Faixa de Gaza
d - ( ) Colômbia
e - ( ) Rio de Janeiro

Nenhuma das Anteriores. A foto foi tirada em Brasília. Estão na cidade os principais mandatários de todos os 12 países da América do Sul, para assinar o termo de criação da Unasul - União das Nações Sul-Americanas. Mais um fórum privilegiado de retórica inútil. Mas um circo. Deve fazer parte de alguma política de combate ao desemprego de diplomatas e assessores internacionais.

Para descontrair, notícia do Jornal Hoje: Uma pesquisa na Inglaterra mostrou que apenas um terço das mulheres faz sexo no dia do casamento. Não é por nada não, mas porque "mulheres" e não "casais"? ou "pares"? ou "duplas"? Cadê os homens?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Para ser chique

Na semana passada, o síndico do edifício onde eu moro mandou uma circular para os condôminos, sobre problemas com o abastecimento da água quente. No segundo parágrafo escreveu o seguinte:
"É de sabença comezinha que diversos apartamentos efetuaram obras nas instalações hidráulicas, porém, no que concerne ao uso racional do sistema de distribuição de água, algumas delas são consideradas danosas e as ligações inadequadas devem ser corrigidas, sob pena de comprometermos a distribuição de água quente para toda a comunidade condominial e, por conseguinte, teremos ainda uma elevação no custo do aquecimento (energia elétrica) e do consumo de água."
O Jornal Nacional de anteontem noticiou uma operação da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul, responsável pela prisão de 28 pessoas acusadas da extração e transporte ilegal de madeira usada na produção de carvão. Palavras de um dos entrevistados:
"Nós denotamos que o volume era muito grande e que o número de pessoas envolvidas era muito maior do que a gente imaginava".
Ouvi outro dia um ator pedir desculpas ao seu público fiel, por ter andado "meio eqüidistante" da televisão.

E já repararam que ninguém mais pensa? Todo mundo já pensou em tudo, e agora só precisa repensar:
"- Vou repensar um pouco sobre essa sua proposta."
E ninguém mais fala nada. Nos círculos mais esclarecidos, as pessoas agora só "fazem colocações".

Os advogados aproveitam a horinha do café para promover "embargos auriculares" e explicar aos Meritíssimos os pontos mais duvidosos de suas petições.

Isso, para não mencionar aqueles que precisam estar verificando o que pode estar acontecendo com o cliente, que poderá estar sendo atendido em breve e logo estar inicializando o relatório das suas reclamações, com certeza infundadas.

Não faz a menor diferença se os outros entendem o recado ou não. O importante é ser chique.


Natal em Dubai

Tenho visitado outros blogs quase diariamente. Gosto muito do da Paty, uma brasileira que está morando em Bahrain e tem escrito assiduamente, contando as histórias das suas 1001 noites e dias por lá.
Seu post de hoje é sobre os beduínos, e me fez lembrar de um passeio que fiz em Dubai.
Estava na programação: Safari no Deserto. Incluía um rally pelas dunas e parada num acampamento beduíno, com direito a andar de camelo, fazer tatuagem de henna, pitar um narguilé, tirar fotos com trajes típicos, jantar churrasco de carneiro e assistir a uma apresentação de dança do ventre.E, claro, gastar vários dinares nas tendinhas de souvenirs. Tinha gente do mundo inteiro, de várias nacionalidades. A começar pelos "locais", todos estrangeiros. Aliás, consta que três quartos da população de Dubai é formada por imigrantes.O ponto alto deveria ser o rally, feito em jipões 4x4 com ar condicionado e capacidade para 7 passageiros mais o piloto. Aparato de Paris/Dacar,mas qualquer passeio de buggy pelas dunas de Genipabu, sem emoção, teria tido mais emoção. E por que Genipabu? Porque uma das tendinhas do acampamento, logo a primeira, da entrada, vendia uns vidrinhos com paisagens feitas com areia colorida, que nem aqueles típicos do Rio Grande do Norte, onde o Brasil faz a curva, nas palavras de um amigo de lá, que se dizia "gaúcho de pé descalço".
E adivinha onde o artista aprendeu o ofício? Lá mesmo onde você está pensando, em Natal - RN. Uma tecnologia 100% nacional, com tulipas e garrafinhas seladas com parafina. Naquele dia ele não estava permitindo fotos. Dizia que estava feio, não tinha se barbeado.


O calibre dos pneus para andar na areia é diferente.



Isto é um narguilé. Para mim foi a parte mais difícil, porque estava apenas começando minha abstinência tabagística (25 dias sem fumar)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Robin Hood


O Birmanês é um idioma muito complexo, com mais de 20 vogais. O alfabeto é lindo, cheio de bolinhas. Impenetrável para os estrangeiros. A recíproca também deve ser verdadeira, porque o inglês falado por lá é praticamente irreconhecível. É preciso uma boa dose de telepatia.
Hora do jantar, um lindo bufê no jardim do hotel, vou me servir. O maitre puxa um papo:
- De onde você é?
- Do Brasil, conhece?
- Brasil? Ôoo! Ronaldo!
- É, Ronaldo.
- Ronaldino Gaxo!
- É, Ronaldinho Gaúcho.
- Kaká!
- É, Kaká.
- Robin Hood!
- Hein?
- Robin Hood!
- .................. (até cair a ficha.)
- Robinho?
- Yeh, Robin Hood!

Monges de Myanmar



Essa fila também anda.

Myanmar



Ano passado estive em Myanmar, no sudeste asiático. Antigamente chamava-se Birmânia, ou Burma. É um país bonito, tropical, rural. Povo alegre e muito, muito pobre. Apesar de o turismo ser uma fonte de renda importante, o nosso grupo era um dos poucos que estavam por lá em novembro, logo depois da revolta dos monges contra a junta militar que há anos governa o país.
E existem milhares de monges em Myanmar. Parece que todo menino tem de passar pela experiência do monastério, pelo menos uma vez na vida. Os monges não podem mentir, roubar, matar ou praticar sexo. Outras faltas até podem ser relevadas, mas estas não. Se apanhados, são expulsos. Dizem que é como um coqueiro cortado, não se pode recompor.
Todos os homens usam saia, chama-se "long-ti", ou coisa parecida. As mulheres pintam o rosto com uma pasta chamada "tanaká". Ninguém usa sapatos, apenas sandálias. Roupas ao estilo ocidental, apenas os empregados dos hotéis e restaurantes.
Certa vez, durante a visita a um pagode, um garoto me pediu para ver o dinheiro do meu país. Achei na bolsa uma nota de R$ 2,00, dei a ele e expliquei valer cerca de US$ 1,70, ou 2 mil Kyats, a moeda local (pronuncia-se "tcheks", mais ou menos). Na saída do pagode, um outro garoto me abordou pedindo para cambiar a mesmíssima nota de R$ 2,00 por Kyats ou dólares. Era muita grana, ele não podia se dar ao luxo de guardar.

Há duas semanas Myanmar foi devastado por um ciclone. Um milhão de pessoas desabrigadas, mais de 150 mil mortos e desaparecidos. Apenas hoje o governo abriu as portas para ajuda internacional, permitindo a entrada de equipes médicas e voluntários para distribuição de alimentos, água, roupas e remédios.
Os sorrisos dessas fotos podem não existir mais.

Blog prá quê?

Gosto muito dos blogs temáticos. Podem ser bastante informativos, interessantes, engraçados. Gosto menos dos blogs intimistas. Costumam ser vagos e propositalmente ambíguos.
Este, não sei ainda o que será. Poderei falar das pequenas coisas do cotidiano, registrar memórias, percepções, ou dar palpite sobre os assuntos espetaculosos da atualidade. Vamos ver.
Alguns temas andam na pauta da minha vida, e portanto é provável que apareçam com freqüência:
1 - A experiência anti-tabagista. Fumante por 35 anos, estou a seis meses e quinze dias no seco.
2 - Uma proposta de trabalho no exterior que rola há um ano e meio, não ata nem desata. Mas atrapalha e está restringindo meu horizonte temporal aos próximos 30 dias.
3 - Um tratamento ortodôntico muito do desagradável.
4 - Um neto de três anos.
Quem viver verá.

Começando um Blog


A vontade de fazer um blog foi surgindo devagarinho, quase não deu prá perceber. Ia ser um diário, mas um blog parece ser mais consistente, mais responsável. Entrei no site, segui o passo-a-passo, escolhi um nome. [E parece que todos os nomes bons já estavam ocupados.] Gastei um tempão prá formatar, testei algumas opções, juntei umas fotos de viagem, e pronto. E agora?